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GÊNEROS E ESPÉCIES DE ORQUÍDEAS NATIVAS DE SC

Pabstiella Brieger & Senghas

Pabstiella Brieger & Senghas

Pabstiella é um gênero botânico pertencente à família das orquídeas (Orchidaceae). Trata-se de um gênero de plantas bastante pequenas proposto em 1976, mas somente nos últimos anos amplamente aceito pela comunidade científica. Reúne cerca de um terço das espécies que antes eram classificadas como Pleurothallis do Brasil, além de algumas poucas espécies existententes em outros países sulamericanos.

Distribuição

As espécies subordinadas a este gênero ocorrem do México ao sul do Brasil, a grande maioria delas descritas para Brasil, que pode ser considerado seu centro de dispersão. Normalmente epífitas em florestas úmidas e sombrias.

Descrição

São espécies pequenas, de crescimento cespitoso, com inflorescência multiflora e flexível. Originalmente sua caracterização era muito simples pois a coluna de suas flores possuem pé extremamente longo na coluna, resultando em mento enorme, no entanto as alterações recentes da classificação das Pleurothallis tornaram este o gênero mais heterogêneo de espécies de Pleurothallis existentes no Brasil, uma vez que praticamente todas as espécies de características evidentes foram classificadas em Acianthera ou Anathallis, as restantes, que não foram subordinadas ao dois gêneros citados, quase todas estão agora subordinadas a Pabstiella.

Histórico

O gênero Pabstiella foi inicialmente proposto por Brieger e Senghas em Die Orchidee 27(5): 195, em 1976. Para abrigar espécies de Pleurothallis que apresentam flores com um mento muito saliente e discrepante que existe apenas em poucas plantas. A mais conhecida delas é sua espécie tipo, a Pabstiella mirabilis (Schltr.) Brieger & Senghas, anteriormente conhecida como Pleurothallis mirabilis Schlechter. O nome é uma homenagem ao orquidólogo brasileiro Guido Frederico João Pabst.

Em 2001, Alec M. Pridgeon e Mark W. Chase, ao estudarem a filogenia de Pleurothallidinae comprovaram o isolamente destas espécies em meio aos clados, julgando que Pabstiella não havia sido descrito segundo as normas do código internacional de nomenclatura botânica, propuseram o gênero Anthereon, ao qual subordinaram três espécies de Pleurothallis um tanto quanto diferentes morfologicamente. Além da Pabstiella mirabilis a ele subordinaram também a Pleurothallis tripterantha e a Pleurothallis mentosa, esta última originalmente descrita por João Barbosa Rodrigues como Lepanthes yauaperiensis. Cada uma destas duas últimas constituia uma secção monotípica de Pleurothallis, segundo a primeira classificação de Carlyle August Luer em 1986. Pridgeon e Chase justificam a congregação de três espécies morfologicamente bastante diferentes em um único gênero para evitar a criação de novos gêneros monotípicos, bem como pela proximidade genética dessas espécies. A inclusão da Pleurothallis tripterantha e da Pleurothallis yauaperiensis neste gênero torna sua descrição um tanto complicada.

Em abril de 2002, Fábio de Barros, publicou um artigo restabelecendo Pabstiella e subordinando a este gênero mais três espécies que haviam sido descritas por Luer nos últimos anos.

Em agosto de 2007 Luer subordinou as 62 espécies restantes de a secção Mentosae e do subgênero Mirabilia de Pleurothallis, por ele mesmo propostos em 1986, à Pabstiella, elevando o total de espécies classificadas neste gênero a 68. As alterações ainda prosseguem, enquanto mais estudos moleculares ainda são necessários. Filogeneticamente, este gênero situa-se entre Pleurothallis e Stelis, no quinto grande grupo de gêneros da subtribo Pleurothallidinae.

A Secção Fractiflexae de Pabst

Ao relacionar as Pleurothallis do Brasil, em seu livro Orchidaceae Brasilienses, Guido Pabst separou um pequeno grupo de espécies, hoje classificadas neste gênero, em uma secção a que chamou Fractiflexae (uma referência às inflorescências em zig-zag a maioria destas espécies apresentam). Em 2010 Guy Chiron e Renato Ximenes Bolsanello publicaram a revisão deste grupo, utilizando-se da filogenia molecular, de dez Pleurothallis sensu lato, e a descrição de algumas espécies novas que aqui se classificam, na revista Richardiana.

Este grupo de espécies, endêmico da Mata Atlântica, aliado à Pabstiella hians Lindl., é caracterizado por plantas médias à grandes (5‐20 cm), talos desenvolvidos porém mais curtos do que as folhas, folhas elíptico‐ovais estreitas, encolhidas na base por um pecíolo curto, inflorescências fractiflexas, com poucas flores, flores pouco abertas, 1‐5 ao mesmo tempo, perto do ápice, interior das sépalas densamente pubescente, pétalas rombóides espatuladas, labelo inteiro até pouco trilobado, seja sub‐séssil e neste caso oval seja unguiculado e em forma de flecha, e o pé da coluna curto.

A classificação baseada essencialmente no trabalho de Luer e nos resultados de filogenia molecular (fig. 1, coluna C) publicados por Pridgeon et al. (2001) – os quais permitiram restringir o campo de investigação aos gêneros Pleurothallis sensu stricto, Pabstiella Brieger & Senghas e Stelis sensu Pridgeon & Chase (fig. 1, colonne A) – assim como nas afinidades morfológicas dos vários táxons do grupo – nenhum dado molecular sendo disponível por eles no momento.

O gênero Stelis sensu Pridgeon & Chase contém dois grupos monofiléticos: um grupo incluindo notadamente as Stelis sensu stricto, e um outro incluindo três espécies, representando os sub‐géneros Dracontia, Effusia e Uncifera de Luer (fig. 1, coluna B).

Três observações são uteis para o seguimento:

  • (a) Entre as espécies amostradas por Pridgeon et al. (2001) no clado da figura 1, encontram‐se apenas três espécies brasileiras: Pleurothallis mentosa Cogniaux (Lepanthes yauaperiensis Barbosa Rodrigues), Pleurothallis mirabilis Schlechter e Pleurothallis tripterantha.

 

  • (b) Estes três táxons apresentam morfologia próxima das espécies do grupo estudado nesta nota e estão colocados por Pabst & Dungs (1975) na seção Fractiflexae, o último conhecido por Pleurothallis procumbens Lindley.

 

  • (c) Eles ficam, no trabalho de Pridgeon et al. (2001), no clado correspondendo ao género Pabstiella.

Pridgeon & Chase (2001) transferiram para o gênero Stelis todas as espécies do sub‐género Effusia, exceto as três espécies transferidas para o gênero Pabstiella. Porém, parece natural classificar as outras espécies brasileiras deste sub‐gênero em Pabstiella. Foi o que fez Luer (2007), pois, dada a ausência de dados moleculares para elas (exceto no caso das três espécies mencionadas no ponto [a]), sua classificação só podia ser baseada nos critérios morfológicos.

A aparência vegetativa destas plantas é parecida a das Stelis, mas elas apresentam grandes diferenças na gênese da inflorescência, em sua forma e na morfologia das flores: a inflorescência continua crescendo enquanto há a abertura da primeira flor (enquanto, nas Stelis, a inflorescência termina o seu crescimento antes da abertura da primeira flor); os botões formam‐se progressivamente (enquanto, nas Stelis, todos os botões já são formados quando o primeiro se abre); ao contrário das flores deste grupo, nas Stelis, as flores são bem abertas, quase planas, os pedicelos são muito curtos, as sépalas são livres, inteiramente ou quase, o conjunto pétalas‐labelo forma uma estrutura específica bem reconhecível, ao redor de uma coluna menos longa que larga. Ao contrário, a morfologia vegetativa e floral do grupo estudado é muito parecida à das Pabstiella.

 

Santa Catarina possui 25 espécies:

 

Classificação Científica:

Domínio: Eukaryota
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Ordem: Orchidaceae

Etimologia e descrição do Gênero:

Família: Orchidaceae
Sub Família: Epidendroideae Lindley
Tribo: Epidendreae
Sub Tribo: Pleurothallidinae
Aliança: Sem informação
Quantidade total de espécies aceitas para o Mundo: 
Quantidade total de espécies aceitas para Brasil: 71
Quantidade total de espécies aceitas para Santa Catarina: 43

Espécies aceitas para Santa Catarina:


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