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GÊNEROS E ESPÉCIES DE ORQUÍDEAS NATIVAS DE SC

Acianthera Scheidw

Acianthera Scheidw

Acianthera é um gênero botânico pertencente à família das orquídeas (Orchidaceae) ao qual estão subordinadas cerca de 218 espécies distribuidas por praticamente todos os países da America Latina, exceto o Chile. São plantas epífitas ou mais raro, rupícolas, muito variáveis, de pequena a grande de crescimento reptante, ou cespitoso, pendentes ou eretas, ocasionalmente achatadas sobre o substrato, mas quase sempre bastante robustas. Sua inflorescência racemosa pode conter uma ou mais flores que raramente ultrapassam um centímetro de comprimento e quase sempre são pubescentes e espessas, com sépalas laterais concrescidas.

Apesar do gênero ter sido proposto em 1842, foi ignorado pelos botânicos até o início dos anos 2000, quando pesquisas de genética molecular demonstraram a conveniência de aceitar-se a proposta. Até então, todas estas espécies eram consideradas membros de Pleurothallis, nome pelo qual ainda são popularmente conhecidas. Como a subtribo Pleurothallidinae, à qual pertencem, é composta por mais de quatro mil espécies, ainda devem passar-se alguns anos até que a relação entre todas as espécies sejam conhecidas e cada uma delas atribuída ao gênero em que devem ser classificadas, mormente porque muitas de suas espécies são raras, pouco conhecidas ou suas descrições não trazem informações suficientes para a correta identificação da espécie. Como suas flores quase nunca são vistosas, de modo geral despertam interesse apenas em colecionadores especializados, o que acaba dificultando as oportunidades dos pesquisadores encontraram as espécies que necessitam para seus estudos.

Distribuição

Existem em todos os países latino-americanos, exceto o Chile. Estimamos que o número de espécies deste gênero encontradas no Brasil seja próximo de cem.

Habitat

Epífitas ou rupícolas, vivendo nas condições mais diversas, desde florestas sombrías e úmidas, até áreas semi desérticas, sobre rochas debaixo de sol pleno.

Descrição

quando iniciou seu estudo sistemático da subtribo Pleurothallidinae, Carl A. Luer propôs que se estabelecesse um subgênero de Pleurothallis, ao qual denominou Acianthera, vagamente baseado nas características da Acianthera recurva. Dentre outras características, com algumas exceções, estas espécies podem ser reconhecidas por apresentarem flores mais ou menos carnosas, com duas polínias, de sépalas laterais concrescidas, que brotam solitárias ou em pequeno número de inflorescências terminais do ramicaule, com folhas sésseis, mas algumas vezes com a base dando a impressão de ser contínua ao ramicaule, e este sem a presença do annulus, estrutura já definida ao tratarmos de Pleurothallis. São plantas bastante variáves, pequenas ou grandes.

Além das características citadas acima acrescentamos que as Acianthera, não têm annulus entre os caules e as folhas, são sempre unifoliadas, com folhas mais ou menos carnosas, coriáceas ou roliças; com ou sem espata; são comuns flores de superfície pubescente ou verrucosa; o labelo costuma ser trilobado e espesso, geralmente com dois calos ou espessamentos no disco, os lobos laterais pequenos, próximos à base do labelo e em regra erguidos; a antera costuma ocupar posição ventral na coluna, a qual apresenta diversos tipos de asas ou aurículas.

Entre as Acianthera podemos reconhecer alguns grupos de espécies cuja morfologia é particularmente diferente das demais, estes grupos aqui informados nada têm a ver com sua classificação filogenética:

  • Aquelas de folhas muito espessas, roliças ou acanoadas, com inflorescência ereta ou arqueada, como a Acianthera rupestris e a Acianthera sonderiana.

 

  • Uma espécie bastante diferente, de grandes folhas pendentes e delicadas que formam uma espécie de concha, que esconde as flores a Acianthera pectinata.

 

  • Aquelas de folhas bastante carnosas, recurvadas formando uma espécie de gancho, representadas pelas Acianthera hamosa e Acianthera prolifera.

 

  • Um grupo de espécies mais ou menos grandes com caules triangulares herbáceos, e flores minúsculas representado pela Acianthera ochreata.

 

  • Outro de plantas grandes com longos caules rígidos e robustos, de secção redonda e inflorescência longa, muitas vezes com flores pubescentes, verrucosas ou tricomatosas como a Acianthera saurocephala e Acianthera binotii, ou inflorescência curta, como a Acianthera aphthosa.

 

  • Um grupo grande de plantas pequenas e reptantes com folhas mais ou menos carnosas e ovaladas, eretas ou coladas ao substrato, com uma ou poucas flores, representado pela Acianthera recurva e Acianthera saundersiana.

 

  • Uma pequena espécie reptantes com folhas mais ou menos delicadas e pintalgadas, com muitas flores pubescentes flores escondidas sob elas, representado pela Acianthera crinita.

 

  • Espécies grandes e pendentes ou não com inflorescências longas de muitas flores e folhas carnosas elíptico lanceoladas como a Acianthera strupifolia e Acianthera pubescens.

 

Filogenia

Em 2001, Mark w. Chase et al., publicaram no American Journal of Botany um estudo preliminar sobre a filogenia desta subtribo. Segundo os resultados encontrados, este gênero, por si só, forma o terceiro grande clado de espécies de Pleurothallidinae, separado das outras Pleurothallis. Estaria inserido entre o grupo de Barbosella, Restrepia e Myoxanthus por um lado e de Lepanthes, Zootrophion, Trichosalpinx e Anathallis de outro.

Taxonomia

O gênero Acianthera foi proposto por Scheidweiler em Allgemeine Gartenzeitung 10(37): 292, em 1842, ao descrever a Acianthera punctata, hoje considerada sinônimo da Acianthera recurva. Desde sua proposição, Acianthera foi um gênero amplamente ignorado pelos taxonomistas. Até recentemente todas suas espécies estavam subordinadas a Pleurothallis. Carlyle August Luer foi um dos primeiros estudiosos a prestarem atenção a este gênero.

Em sua proposta sistemática inicial, publicada em 1986, Luer dividia este subgênero em diversas seções e subseções, algumas destas similares às publicadas por Guido Pabst & Fritz Dungs no Orchidaceae Brasilienses, outras referentes a espécies não encontradas no Brasil. Em 2003, Luer publicou um estudo mais abrangente sobre este subgênero, que no entanto ainda não aborda as espécies brasileiras, neste trabalho Luer resolveu abandonar suas subdivisões alegando haver muitas espécies intermediárias.

Como o estudo não inclui as espécies brasilieras, ou pelo menos, não as exclusivamente brasileiras, que são muitas, o abandono das subdivisões de certa forma dificulta o entendimento e manejo do subgênero. Em vista disso resolvemos aqui tratar de três dessas subdivisões, hora consideradas por Luer como subgêneros de Pleurothallis, hora de Specklinia, hora de Acianthera, como se fossem gêneros à parte, mesmo porque por muitos anos o foram e até hoje esses nomes são assim utilizados. Trazemos então as seções ou subgêneros Cryptophoranthus, Sarracenella e Phloeophila em separado.

Mark W. Chase subordina Cryptophoranthus, Sarracenella e Phloeophila, ao gênero Acianthera, mas mesmo assim preferimos que se estude melhor este gênero antes de concordarmos em unificar estes gêneros, uma vez que são morfologicamente diferentes e facilmente reconhecíveis, além disso, muitas das transferenências de Chase et al. basearam-se em divisões de Luer e não em amostragens variadas, portanto algumas transferências podem não corresponder à realidade quando se fizerem amostragens mais completas. Assim conforme vem aqui, estes três gêneros supostamente também fariam parte do terceiro grande grupo de Pleurothallidinae, aliados então a Acianthera.

Como Luer mesmo afirma, os limites morfológicos entre as espécies brasileiras de Acianthera e Specklinia são algo obscuros. Algumas dessas espécies foram consideradas pertencentes a um gênero por Luer e a outro por Chase. Baseados no fato da amostragem de espécies brasilieras feita por Chase et al. ser muito pequena, e desde que eles utilizaram-se das divisões de Luer para proceder às transferências de espécies entre os gêneros, preferimos seguir aqui as opiniões de Luer, que publicou uma revisão e classificação mais recente e diferente daquelas em que Chase et al. se basearam para proceder às transferências. Finalmente, muitas das espécies não foram removidas por nenhum dos dois estando ainda classificadas como Pleurothallis. Estas são as razões pelas quais nossos leitores podem encontrar divergências entre a divisão das espécies que aqui apresentamos e a publicação de 2001 de Chase.

Espécies aceitas

Pelas razões que explicamos acima, o número de espécies a serem subordinadas a este gênero ainda é incerto, são cerca de duzentas a duzentas e vinte espécies. Mais adiante temos as espécies relacionadas nas secções em que foram classificadas no entanto os dados de publicação e a lista completa das espécies.

Calculamos que o número de espécies deste gênero no Brasil seja próximo de cem. Nenhum estudo abrangente e recente sobre as plantas do Brasil foi publicado. Algumas espécies do gênero Acianthera encontram-se entre as Pleurothallidinae mais facilmente encontradas no Brasil. As mais comuns são: Acianthera luteola, está espalhada por todo o território brasileiro e em muitos outros países da América do Sul; Acianthera recurva, Acianthera saundersiana, espécie muito variável e com muitos sinônimos; a Acianthera aphthosa, que exala um odor bastante característico de peixe e por isso foi também descrita como Acianthera aphthosa; Acianthera prolifera, outra espécie muito variável; Acianthera saurocephala; Acianthera pubescens e Acianthera teres.

Tratamento infragenérico

Em 1986, Quando Luer ainda iniciava sua série de trabalhos sobre Pleurothallidinae, publicou uma revisão do gênero Pleurothallis, aos quais as Acianthera estavam subordinadas então. Nesta revisão dividiu Pleurothallis em uma grande série de subgêneros e secções. Nos anos seguintes mudou de ideia e elevou alguns desses subgêneros a gêneros, extinguiu secções e criou outras. Desde então Luer não publicou qualquer revisão das espécies do Brasil de modo que essas primeira revisão inicial, aliadas à revisão que Pabst fez em 1978 no Orchidaceae Brasilienses são as duas únicas referências que temos hoje, ambas escritas há décadas.

Em fevereiro de (2012) Chiron e van den Berg publicaram uma revisão preliminar de Acianthera dividindo o gênero em diversas secções e subsecções. A publicação é baseada em genética molecular e apenas determina as espécies-tipo de cada uma das secções, bem como a possível quantidade de espécies a serem incluídas em cada uma delas. Os autores afirmam que obtiveram estes números de uma análise combinada das publicações de Luer e Pabst à luz dos dados revelados pela genética.

Na realidade alguns resultados não foram conclusivos e muitas espécies precisam ser melhor resolvidas antes da publicação de um revisão completa. Além disso, praticamente só analisaram espécies brasileiras de modo que é possível que mais secções sejam necessárias.

A seguir, vem as seções publicadas por Chiron e Van den Berg, bem como algumas extras propostas por Luer, porém como gêneros ou subgêneros, os quais hoje sabemos estarem inseridos nos clados de Acianthera.

Para Santa Catarina são aceitas as seguintes espécies:

Classificação Científica:

Domínio: Eukaryota
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Ordem: Orchidaceae

Etimologia e descrição do Gênero:

Família: Orchidaceae
Sub Família: Epidendroideae Lindley
Tribo: Epidendreae
Sub Tribo: Pleurothallidinae
Aliança: Sem informação
Quantidade total de espécies aceitas para o Mundo: 218
Quantidade total de espécies aceitas para Brasil: 121
Quantidade total de espécies aceitas para Santa Catarina: 71

Espécies aceitas para Santa Catarina:


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