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Vanillas Mill. do Brasil

 

1. Introdução

 

2.Vanilla Juss.

(Etim.: Cremos que foi derivado do nome vulgar: “Banilla” e que os ameríndios Maias, de Iucatan, tenham sido os primeiros que a usavam na sua medicina. Outros afirmam que o nome se deriva de “vaina” do espanhol, que é vagem).

3. Vanilla Juss., - “Gen. Pl.” (1789) p. 66; — Swartz, - “Nov. Act. Ups.”, vol. VI (1799) p. 66; - em “Schrad. Journ.” vol. II (1799) p. 208; — “Fl. Ind. Occid.” vol. III, p. 1513 e 1997 e no “Schrad. Nov. Journ.”, vol. I (1806) p. 82; — Ventenat, - “Tabl.”, II, p. 210; — Saint Hil., - “Expos.”, I, p. 165; — Willd., - “Spec. Pl.”, vol. IV, p. 121; — Pers., - “Synops. Pl.”, vol. II, p. 520; — R. Brown, - “Ait. Hort. Kew.”, edit. sec. V, p. 220; — Kunth, - “Humb. Bonpl. Nov. Gen. et Spec.”, vol. I, p. 355 ? — Spreng., - “Anl.” II, part. I, p. 293; — “Syst.” vol. III, p. 715 e “Gen.”, vol. II, p. 663; — Blitme, - “Bijdr.”, p. 421 e “Rumphia”, vol. I, p. 196; — Lindl., - “Orch. Sei.” p. 11 e “Gen. and Spec. Orchid.”, p. 424; — Poir., - “Dict. Sc. Nat.”, vol. LVI, p. 472; — Endlicher, - “Gen.”, p. 220; — Meissner, - “Pl. Vasc.”, p. 384 (287); — Klotüsch, - “Heyne, Arzneigew.”, vol. XXIV e “Bot. Zeit.” (1846) p. 561; — Spach, - “Vég. Phan.”, vol. XII, p. 189; — Duchtr., - “Orb. Dic. Sc. Nat.”, vol. XIII, p. 3; — Ch. Morren, - “Bull. Acad. Belg.”, vol. XVII, part. I, p. 108 e 125 (1850) ; — “Lobelia”, p. 29; — De Vriese, - “Tuinb. Fl.”, vol. III, p. 33 e 65 (1856), e na “Belg. Hort.”, vol. VI, p. 313 e 364; — Miq., - “Fl. Ind. Bat.”, vol. IH, p. 718; — Duchtr., - “Man. Gen. des PL”, vol. IV, p. 533; — Griseb., - “Fl. Brit. W. - Ind. Isl.”, p. 638; — Du Buyss., - “L’Orchidoph.”, p. 511; — Bentham, - “Journ. Linn. Soc., Bot.”, vol. XVIII, p. 340 e no “Benth. & Hook. f., Gen. Pl.”, vol. III, p. 590; — PirrzüR, - “Engl. & Prantl, Die Nat. Pflanzenf.”, vol. II, 6 (1889) p. 108; — Hook. f., - “Fl. Brit. Ind.”, vol. VI, p. 90; — O. Kuntze, - “Rev, Gen. Pl.”, p. 682; — Stein, - “Orchideenbuch”, (1892) p, 590; — Schlechter, -  “Die Orchideen”, (1914) p. 97; — A. Cogniaux, “Mart. Fl. Br.”, vol III, IV (1893) p. 144.

Sin.:  Vanillophora Neck., - “Elem. Bot.”, vol. III (1790) p. 134.

Myrobroma Salisb., - “Parad. Lond.”, (1806) táb. 82 e na “Hortic. Transs. London”, vol. I (1812) p. 295.

Sépalas livres, mais ou menos iguais, patentes, mas raramente muito reflexos, em regra mais ou menos oblongo-espatulados; pétalas pouco diferentes e do comprimento dos sépalos, raro mais largos, frequentemente mais estreitos; labelo na parte inferior unguiculado, concrescido com os bordos laterais da face da coluna, com limbo alargado, afunilado em torno da mesma coluna, não ou até perfeitamente trilobado; coluna alongada, áptera, apoda, subereta, semiroliça, na face glabra ou revestida de pêlos patentes, com estigma sob o rostelo, curto, transversal e obliquamente elevado, antera afixada à margem do clinândrio, incumbente, convexa, semiglobosa ou um tanto cônica, com lojas discretas, políneas pulverulento-granulosas, livres ou mas tarde sésseis no rostelo; fruto não perfeitamente capsular, com três placentas, uniloculado, trivalvado, mas tardiamente deiscente; sementes globosas, crustáceas e frágeis.

Plantas robustas, escandentes, geralmente reptantes no cortex das árvores ou com os caules e ramos êstendidos por entre os arbustos, raramente eretos, às vezes genuinamente dendrícolas, outras mais ou menos humícolas, com caule roliço, mais ou menos carnoso e frágil, folioso mui raramente afilo, emitindo raizes do lado contrário ao ponto ou ao lado do peciolo; fôlhas mais ou menos coriáceas ou carnosas, nervadas, sésseis ou atenuadas em pseudo-peciolo, articuladas, na base geralmente arredondadas ou levemente cordadas; racimos exilares, raro flores solitárias nas axilas; flores ornamentais, relativamente grandes, verde-amareladas, alvas ou avermelhadas; frutos mais ou menos aromáticos.

 

3.1. Número de espécies e sua distribuição geográfica: As Vanilla acham-se dispersadas naturalmente, ou por meio de culturas, em todas as regiões temperadas e cálidas do globo; parece, todavia, que seu centro de dispersão deve ser procurado nos trópicos da América.

As descritas até presente momento excedem muito de cem; provavelmente numa revisão cuidadosa, que se tornará cada vez menos realizável, verificar-se-á entretanto que muitas das espécies estabelecidas se hão de revelar como constituidas de tipos bem diferentes e que outras separadas como autônomas precisarão ser reunidas a algumas dessas.

No Brasil e nas regiões confinantes poderemos admitir como prováveis umas 50 espécies. Nesta monografia recenseamos, porém, ainda apenas 38, por nos não ter sido possível examinar os materiais dos herbários estrangeiros e nem ter espécimes de tôdas as procedencias no Brasil. É aceitável a hipótese de que algumas das descritas como novas êstejam representadas nos herbários como pertencentes a espécies anteriormente descritas; fomos porem constrangidos a descrevê-las para estabelecer seus caracteres essenciais, mesmo sem havermos logrado ver os originais de tôdas as espécies, porque as diagnoses existentes não se ajustam ao observado nos materiais vistos e estudados cuidadosamente. Louis Nolan,  que mais em baixo é citado, — afirmou que apenas 15 espécies devem ser consideradas no Brasil, Guianas e Equador, mas nisto equivocou-se positivamente, como veremos por esta monografia.

 

3.2. Da utilidade das Vanilla: Das espécies cultivadas mais largamente, acredita-se que a V. planifolia Andr. leva a primazia, sua cultura, como a da V. pompona Schiede, é praticada em quasi tôdas as regiões mais temperadas e tropicais do globo. Mais geralmente associam-se à cultura do “Cacaueiro”, em cujos troncos permitem que os seus caules e ramos se fixem, por não representar isto nenhum prejuizo para dita árvore e por ser o meio propício ao desenvolvimento dessa Orchidacea, Nessas condições a polinização costuma ser feita artificialmente, mas, existindo os insetos que se incumbem dessa função, deixa-se também a natureza agir sem a intervenção do dedo do homem.

Cremos que as melhores vagens de Vanilla procedem das seguintes espécies: V. planifolia Andr., V. pompona Schiede, V. aromatica Sw., V. Chamissonis Klotzsch, V. odorata Presl., V. guianensis Splitg., V. argentina Hicken, V. trigonocarpa Hoehne, mas, é fora de dúvida que muitas outras deverão fornecer material que vem aos mercados de localidades onde a colheita é feita nas matas naturais, como acontece no Perú, Bolívia e Amazonas.

Da importância da “Vanilina” na indústria e na medicina só se conseguiu firmar opinião decisiva depois; da descoberta da América. Parece que no Velho Mundo as espécies alí naturais nunca foram objeto da atenção dos homens, como aconteceu isto na América, mesmo antes do seu descobrimento pelo europeu. Estamos inclinados a acreditar que os incas e os maias, no Perú e no Iucatã, tivessem logrado preparar a “Vanilina” em forma cristalizada muito antes do advento dos espanhóis e portugueses. A “Vanilina”, corpo de propriedade aldeídica, brota aliás das vagens maceradas pelos processos técnicos, em forma de lágrimas e cristas, como agulhas transparentes, e torna-se visível na superfície das melhores vagens logo que elas entram no estado de maceração aos raios do sol. Nas melhores qualidades de vagens surge ela na proporção de 1,8 - 3%. Sôbre a sua importância na indústria e como fonte de renda, falamos em 1919, num pequeno artigo estampado pela revista: “Chacaras e Quintais”, em Junho, pgs. 478-479; também em nosso livro: “Plantas e substâncias vegetais tóxicas e medicinais”, editado em 1939, dedicamos-lhe atenção na página 99.

Louis L. Nolan, — “The Story of Vanilla”, no “Agric. in America”, em Fev. de 1942, p. 32, afirmou que são conhecidas apenas 51 espécies em todo o mundo e que das mesmas poucas são aproveitadas. Suas referencias à industrialização das vagens desta Orchidacea, tornam-se merecedoras da atenção dos interessados no assunto.

 

3.3. Do preparo da “Baunilha” e da “Vanilina”: Para o preparo da bôa “Baunilha” — nome com que os portugueses distinguem as vagens ou frutos das Vanillas e as mesmas plantas, requer-se conhecimentos técnicos. As vagens são colhidas depois que completaram o seu desenvolvimento, quando apresentam tonalidades amarelas e sombras acastanhadas. Durante algumas horas são então imersas em água quente, a fim de murcharem; em seguida são enroladas em panos para macerarem ou “suarem” — como diz o vulgo, então eliminam elas a maior parte da água que contêm. Isto pratica-se ainda em caixas de zinco bem fechadas. Completada esta parte, ficam expostas aos raios do sol, colocadas sôbre lençóis ou papéis, mas em seguida completa-se a sua secagem deixando-as suspensas em cordas, em ranchos ou mesmo nas casas, postas sôbre panos ou êsteiras, movendo-as repetidas vezes. Êste processo é o mais demorado porque pode levar semanas ou mesmo meses antes de bastar para o conveniente preparo do material. Quando aparentemente sêcas, isto é, coriáceas, são colocadas em caixas de zinco e submetidas à última murcha. Enfim, selecionadas, são empacotadas em mólhos e acondicionadas em caixas forradas de zinco e hermeticamente cerradas, para serem entregues ao consumo ou à indústria da “Vanilina”.

Com esses tratamentos perdem as vagens da Vanilla pelo menos 75% do seu pêso original, tornam-se pardo-denegridas e começam a revestir-se de pequeníssimos cristais brilhantes, que é a “Vanilina” que exsudam.

A “Vanilina”, como tantos outros produtos primitivamente só tirados destas plantas, é hoje também fabricada sinteticamente nos laboratórios e obtida de espécie de Pinaceas. Tais produtos não conseguem, entretanto, alcançar o suave aroma nem as virtudes terapêuticas da substância tirada das “Baunilhas”. O aroma destas é mais subtil, mas agrádavel.

Os íncolas da América conheciam e preparavam a “Baunilha”. O Dr. Angel Maidonado, sob o título: “Vanila de Moyabamba”, em seu interessante livro: “Contribuicion al estudio de la matéria médica peruana”, redigido em cola-boração com Manuel A. Velásquez, tratou da produção da “Baunilha” pelos antigos incas e pelos atuais habitantes do Perú. Segundo êle, os índios quechua conhecem o produto pelo nome de “Lluychu-Vanilla”, por prepararem-no em forma de chifres de veado (Lluychu, em quechua é nome de veado). Pelos clichés que estampou no citado trabalho, verificamos que realmente esses íncolas preparam as “Baunilhas” seccionando-as em sentido longitudinal e enrolando-as em seguida com tiras de fôlha de Carludovica palmata, — a mesma planta que fornece o material para o fabrico dos célebres chapéus chamados do “Panamá” ou do “Chile”, deixam-nas então secar em varas ao sol ou sob ranchos, até adquirirem a consistência e as qualidades necessarias para o mercado. Outros íncolas servem-se para isto de tiras de frondes de outras palmeiras, mas submetem-nas então a uma imersão em água fervendo antes de as exporem ao sol.

As principais características da “Vanila de Moyabama” resumem-se ao citado seccionamento das bainhas e ao enrolamento com ditas tiras ou palhas da Carludovica palmata. Mesmo depois de tiradas as ditas tiras, distinguem-nas os peritos pelos sinais que das mesmas restam impressas no material. Essa indústria, afirmou ainda Maldonado, é porém inteiramente extrativa, porquê ninguém se lembra de cultivar as plantas para obter maiores proventos e maiores facilidades na colheita.

Referindo-se à história da “Baunilha”, disse citado autor que os ameríndios do México chegaram todavia a cultivar as espécies de Vanilla muito antes do advento do homem europeu e que lhe davam o nome de “Tilxochil” (Segundo Cobo de Barnabé: — “História del Nuevo Mundo”, Sevilha 1890). Merece atenção, entretanto, que outros autores quasi só citaram as “Baunilhas” para aquela região do nosso continente, ao falarem do uso do chocolate, declarando que as empregavam para aromatizarem o chocolate e para outras bebidas, perfumes e cosméticos para a “toilette”.

A asserção de que os aborígenes do Perú conseguem descobrir as bainhas das Vanilla, nas florestas virgens, pelo cheiro que as mesmas exalam, deve residir em informação errônea, porquê em geral os frutos só se tornam aromáticos depois de submetidos aos primeiros preparos supra-citados. Quando amadurecem nas plantas, decompõem-se rapidamente ou fendem em tiras para serem expostas e libertadas as sementes, de cuja dispersão, provavelmente, se encarregam as aves que comem a polpa dos frutos. Os frutos maduros dispensariam o preparo que consiste no seu seccionamento e enrolamento.

Maldonado afirmou ainda que as Vanilla no Perú aparecem mais geralmente aderidas aos troncos das árvores do “Cordoncillo” — Arthante, spc. — Não cremos todavia que elas tenham predileção especial por qualquer árvore, isto importaria na sua dependencia das mesmas, o que a dispersão natural impede. Que sejam mais viçosas em determinadas espécie de árvores, já ficou evidenciado do referido supra, ao tratarmos da sua cultura nos cacauais. Os cultivadores devem, por isto, escolher as árvores, não esquecendo, todavia, que mesmo em latadas, sôbre troncos sêcos, mais ou menos abrigadas, elas poderão ser cultivadas com reais vantagens.

Os entendidos afirmam que a multiplicação mais rápida se faz por meio de estacas. Para tanto cortam-se os caules, depois do amadurecimento dos frutos, em pedaços que contenham pelo menos dois nós. Êstes pedaços, depois de perfeitamente sêcos os cortes, isto é, depois da cicatrizagem dos mesmos, são colocados junto aos suportes, troncos ou estacas, amarrando-os firmemente contra a base dos mesmos introduzindo a parte basal alguns centímetros no solo, que precisará ser rico de humo e bastante fértil. Como amarrilho empregam tiras de Phormium tenax, “Embiras”, cordame de juta ou lascas de fôlhas de palmeiras ou de Carludovica.

Poucas semanas depois de assim plantadas, estas peças lançarão raizes pelos nós, que penetrarão no humo, e deitarão brotos que se sustentarão com o recurso de raizes adventicias nos troncos ou suportes, galgando paulatinamente pelos mesmos. Para facilitar a exploração, fecundação das flores e a colheita dos frutos, deve- se preferir sempre manter as plantas em alturas acessíveis ao homem, para que com o recurso de uma escada de abrir possa alcançar as extremidades dos seus ramos. No término de dois a três anos estarão as plantas em condições de prometerem a primeira colheita e continuarão produzindo crescentemente até 20 anos, atingindo, talvez, aos 30-40 anos de idade, o fim da sua existência, tendo deixado, porém, milhares de descendentes resultantes de estacas que também naturalmente são distribuídas em consequencia a desastres, quedas etc.

 

3.4. Dos centros de produção mundial: Cremos que o México continua sendo ainda o maior centro de produção do mundo, mas também em Jamaica, em Madagascar, na Baia e no Pará cultivam hoje muitas espécies.

Para os nossos interesses preconizariamos a cultura das seguintes espécies, pela ordem de sua importância, no que concerne a volume e qualidade de material para o mercado: Vanilla pompona Schiede, V. argentina Hicken, V. trigonocarpa Hoehne, V. aromatica Sw., V. planifolia Andr., V. odorata Presl., V. Chamissonis Klotzsch.

 

3.5. Do porte e aspecto das Vanilla: As melhores produtoras de vagens são as espécies de, Vanilla que têm os caules nem muito grossos e nem muito finos. Às de caules mais espêssos e pesados pertencem: V. Chamissonis Klotzsch, V. planifolia Andr. e outras; às de caules finos, as afins da V. organensis Rolfe e V. parvifolia Barb. Rdr.; às de caule intermediário: V. trigonocarpa Hoehne, V. purusara Barb. Rdr. Jr., V. aromatica Sw., V. argentina Hicken etc.

As espécies da secção foliosa caraterizam-se ainda pelas fôlhas numerosas, isto é, mais bastas e mais perenes, de consistência mais herbácea e forma mais ovalada. As de caules espessos possuem em regra fôlhas longas, em estado vivo carnosas e rijas depois de sêcas.

A maioria das Vanilla produz flores em racimos e quando aparecem as flores em ramos axilares devemos ainda considerar que ali as fôlhas se apresentam em regra reduzidas e poderão, por isto, ser interpretadas como bracteas.

Como plantas ornamentais, para os amadores de Orchidaceas, as Vanilla não merecerão maior destaque, todavia convém notar que existem espécies de flores com sépalos de até 12 cm. de comp. e outras que, menores, produzem flores de coloridos vistosos e de uma delicadeza realmente admirável. Aqui queremos citar: V. Ribeiroi Hoehne, que tem as flores alvas, com labelo amarelo-cromo revestido na superfície interna superior de barbelas lombricoides que terminam em um asterístico e se apresentam como polpa macia, destinada à alimentação dos insetos que as polinizam, pois devem ser interpretados como pêlos pabulares. Outras espécies do mesmo agrupamento das afins da V. fimbriata Rolfe, desenvolvem apêndices especiais no labelo que as tornam dignas da admiração dos amadores.

Curioso é, em muitas espécies macrantas, um fascículo de membranas caliculiformes fendilhadas, que se ergue no centro do disco do labelo, na região sob a antera, o qual com certeza se destina a reter as massas polínicas que porventura escaparem da cabeça do inseto que as deslocar da antera ou servirão, quem sabe, para forçar o mesmo inseto a erguer a cabeça afim de tocar na antera antes de alcançar a base do labelo onde é secretado o nectar.

Muito interessantes tornam-se algumas das espécies exóticas que atrofiaram as fôlhas, tendo-as substituído por pequenas escamas. Delas damos um exemplo que é apresentado pela V. Eggersii Rolfe, que encontramos em Mato Grosso, a-pesar-de haver sido descrita de regiões extra-brasileiras.

Um tipo foi descrito como ereto, a saber, a V. Dietschiana Edwall. Como, porém, nunca mais foi encontrado, queremos crer que se trata de um exemplar atrofiado ou de condições mesológicas especiais, da V. organensis Rolfe ou outra afim. Aliás a posição das raizes e a base parecem indicar que deve ter sido um exemplar encontrado entre musgos nas matas higrófilas da Serra do Mar.

 

3.6. Similares de Vanilla e suas afinidades: Genericamente falando, o cheiro dos frutos de Vanilla tem sucedâneos mesmo entre as Orchidaceas. Assim, as cápsulas de Selenipedilum, as de Palmorchis e tambem as de Leptotes exalam cheiro característico de “Vanilina”. As flores de muitas Maxilarias, especialmente M. consanguinea, M. picta e M. serotina, emanam um cheiro que, em determinadas horas do dia, chega a embriagar-nos e que muito se aproxima da “Vanilina”.

No que concerne à afinidade do gênero, devemos recordar que êle tem elos de ligação com Epistephium e Cleistes, no que concerne à forma das flores, mas não pelo porte. As Sobralias teriam de ser consideradas afins por muitas razões, mas as suas flores distinguem-nas tanto quanto o porte cespidiforme e rijo dos seus caules.

A transição das Vanilla para os tipos epífitos temos na V. palmarum Lindl., que vive e se propaga admirável e quasi unicamente nas bainhas das frondes de palmeiras dos gêneros: Attalea, Mauritia e Scheelea, aproveitando-se do humo que ali é formado pelos detritos orgânicos.

O gênero Vanilla poderá, como dissemos mais atrás, ser considerado uma excepção entre as Orchidaceas no que concerne à sua utilidade industrial, especialmente condimentar e aromática. Excluidos os poucos usos que fazem dos pseudobulbos de alguns Cyrtopodium, para sucedâneo de cola, só em Vanilla descobrimos razões para explorações realmente industriais.

Com o desaparecimento das matas virgens, onde estas plantas medram, em breve chegar-se-á, aqui no Brasil, a falar das Vanilla nativas como lenda, por isto mesmo recomenda-se que também, pelo interesse que elas representam para o País, se protejam as selvas e se aproveitem as muitas espécies encontradiças.

 

4. Relação dos nomes de vanilla que merecem descrições ou comentários nesta monografia, com a indicação da sinonimia de cada uma:

 

- Vanilla acuta Roefe, — “Journ. Lin. Soc.”, vol. XXXII, (1896) p. 453 (não esclarecida) (Guiana).

- Vanilla acutifolia Lodd. Cat. Ex W. Baxt., — “Loud. Hort. Brit.”, Suppl. vol. III, p. 655 (Venezuela). (Não esclarecida).

35 - Vanilla anaromatica Griseb. = V. aromatica Sw.

37 – Vanilla angustipetala Schltr.

- Vanilla aphylla Blume, — “Bijdr.” p. 422, é de Java, não igual com a de Eggers.

21- Vanilla aphylla Eggers = V. Eggersi Rolfe.

- Vanilla aphylla = V. wightii Lindl., — “Bijdr.” p. 422, India Oriental.

-  Vanilla appendiculata Rolfe, — “Kew Bull.” (1895) p. 178 (Guiana Inglêsa) (Não esclarecida).

12 - Vanilla argentina Hicken.

36 - Vanilla aromatica Lindl., — V. organensis Rolfe.

35 - Vanilla  aromatica Sw.

-   Vanilla aromatica WILLD. — “Spec. Pl.”, vol. IV, p. 121 — V. phaeantha Reichb. F., — “Flora”, vol. XLVIII (1856) p 274. Ind. Ocidental.

22 - Vanilla bertoniensis BERT.

13 – Vanilla bicolor Lindl.

33 - Vanilla bradei Schltr. (ex Mansfeld) .

23 – Vanilla calyculata Schltr.

7 – Vanilla cristagalli Hoehne.

8 -  Vanilla cristato-callosa Hoehne.

14 - Vanilla chamissonis Klotzsch.

20 - Vanilla dietschiana Edwall.

35 - Vanilla domestica Druck. = V. aromaticas Sw.

10 - Vanilla dubia Hoehne.

15 - Vanilla Duckei Huber. — V. planifolia Andr.

31 - Vanilla edwallii Hoehne.

21 – Vanilla eggersi Rolfe.

1 -  Vanilla ensifolia Rolfe.

35 - Vanilla epidendrum Mirb. = V. aromatica Sw.

4 - Vanilla fimbriata Rolfe.

35 - Vanilla flore viridi et albo. etc., — Plum, = V. aromatica Sw.

-  Vanilla fragrans Ames. — V. aromatica Sw.

16 - Vanilla gardneri Rolfe.

11 – Vanilla grandiflora Lindl. = V. pompona Schiede.

26 - Vanilla guianensis Splitg.

- Vanilla hamata Klotzsch. Não esclarecida, talvez igual com V.uncinata Huber, que acreditamos ser idêntica com V. fimbriata Rolfe, e, nêste caso, por ser de (1846), deveria ser preferida.

27 - Vanilla hostmani Rolfe (Talvez idêntica com V. guianensis   Splitg.).

35 – Vanilla inodora Schiede = V. aromatica Sw.

34 - Vanilla latisegmenta Ames &  Schweinf.

18 - Vanilla lindmaniana Kraenzl.

17 - Vanilla lutea Wright, ex Griseb. — V. palmarum Lindl.

11 - Vanilla lutescens Moq. ex Dupuis — V. Pompona Schiede.

15 - Vanilla majayensis Blanco = V. planifolia Andr.

6 -   Vanilla marowynensis Pulle.

15 - Vanilla mexicana Mill. = em parte V. planifolia Andr. em parte V. aromatica Sw. segundo referências de Cogniaux.

9 -  Vanilla odorata Peesl.

36 - Vanilla organensis Rolfe.

35 - Vanilla ovalis Blanco — V. aromatica Sw.

38 - Vanilla ovata Rolfe.

17 - Vanilla palmarum Lindl.

30 – Vanilla parvifolia Barb. Rdr.

28 – Vanilla perexilis Bert.

Vanilla phaeantha Reichb. F. (das Ind. Ocidentais, mas mencionada por causa dos sinônimos).— “Flora, vol. XLVIII (1865) p. 274.

15 - Vanilla planifolia Andr.

16 - Vanilla planifolia Hoehne var. gigantea Hoehne — V. pompona Schiede.

- Vanilla planifolia Griseb. = V. phaeantha Reich. das Ind. Ocidentais.

11 - Vanilla planifolia Gardn. V. Gardneri Rolfe.

11 – Vanilla pompona Schiede.

25 - Vanilla purusara Barb: Rdr. Jr.

3 -  Vanilla ribeiroi Hoehne.

33 - Vanilla rojasiana Hoehne.

-     Vanilla ruiziana Klotzsch. — “Bot. Zeit.” vol. IV (1864) p. 563, Perú (Não esclarecida).

15 - Vanilla sativa Schiede = V. planifolia Andr.

5 – Vanilla schwackeana Hoehne.

17 - Vanilla sprucei Rolfe.

11 - Vanilla surinamensis Reichb., = V. pompona Schiede.

15 - Vanilla sylvestris Schiede. = V. pompona Schiede.

24 – Vanilla trigonocarpa Hoehne.

4 -  Vanilla uncinata Huber. =? V. fimbriata Rolfe ou    V. hamata Klotzsch.?

14 - Vanilla Vellozii Rolfe = V. chamissoins Klotzsch.   var. brevifolla Cogn.

29 - Vanilla verrucosa Hauman.

15 - Vanilla viridiflora Blume. = V. planifolia Andr.

 

 

5. Chave dicotômica artificial para as espécies de vanilla do Brasil e regiões mais próximas

 

1a - Labelo em sua parte superior ou margens fimbrilhado ou com barbelas lombricoides, no disco algumas vezes piloso ou verruculoso....2

1b - Labelo na região citada não fimbrilhado, algumas vezes porém crenulado e quasi sempre crespado, no disco com apendices, verrugas ou pêlos mais ou menos evidentes....7

2a - Labelo não ou mui imperfeitamente trilobado, franjas ou barbelas em toda a superfície superior interna e nos bordos daquela região....3

2b - Labelo evidentemente trilobado, franjado ou barbelado apenas na superfície interna do lobo terminal ou ainda aò longo do centro do disco....5

3a —  Fôlhas linear-lanceoladas em forma de gume de punhal; sépalos e pétalos de 5 cm. de comp.; flores no colorido desconhecidas. (Nova Granada e até ao Mato-Grosso).

 1 — V. ensifolia Rolfe.

3b - Fôlhas como na precedente ou diferentes no seu formato e assim as flores....4

4a - Fôlhas linear-lanceoladas com a extremidade recurvada em forma de unha; sépalos de 4 cm. de comp.; labelo em toda a superfície interna superior revestido de barbelas ásperas sem extremidade asteriforme, no restante como em V. Ribeiroi Hoehne (Guianas e Amazonas).

2 — V. uncinata Hubeh.

4b - Fôlhas linear-oblongadas, ápice agudo ou obtuso, mais curtas do que nas precedentes; flores alvas com labelo amarelo-cromo no centro e parte superior interna e bordos revestidos de barbelas lombricoides que terminam em asteristico; sépalos e pétalos mais largas e extremidade côncava, de 5 cm. de comp.         

3 — V. Ribeiroi Hoehne.

4c - Fôlhas como nas duas últimas, mas de apenas 6,5-14 cm. de comp. e 15-21 mm. de larg.; sépalos e pétalos de no máximo 31 mm. de comp.; labelo dado como obtuso e fimbrilhado de 25-27 mm. por 11 mm. de larg, (Guiana Inglêsa).    

4 — V. fimbriata Rolfe.

4d - Fôlhas oval-elípticas terminadas em ponta aguçadissima, assim de 9-11 cm. de comp. e 2,8-3,2 cm. de larg. mediana; sépalos de 4,5 cm. de comp., obtusos, parte superior interna do labelo ornada com uma série de linhas destacadas e verruculosas, nas margens ondulado com aparência de denticulado. (Minas ?).      

5 — V. Schwackeana Hoehne.

5a - Fôlhas sôbre pseudo-peciolo longo e canaliculado, com limbo oval-acuminado, de 10-16 cm. por 4-6 cm. de larg. mediana; labelo no disco piloso, lobos laterais inflados, o terminal com apendices foliáceos laciniados, ápice emarginado. (Guiana Holandêsa).

6 — V. marowynensis Pulle.

5b - Como na precedente, mas labelo mais largo, com crista plurilaeiniada transversal no lobo mediano e outras membranas na linha central. (Manáus).      

7 — V. cristagalli Hoehne.

5c - Como a precedente, mas labelo com crista longitudinal e calículos membranaceos em fascículo sob a antera (Alto Amazonas).     

8 — V. cristato-callosa Hoehne.

5d - Fôlhas na base atenuadas em curto pseudo-peciolo, com limbo linear-oblongado, carnosas e com margens recurvadás, em regra de 20 cm. por 2-2,5 cm, de larg....6

6a - Labelo ao todo de 3,5 cm. de comp., com lobo terminal triangular arredondado, bordos crenula- do-laciniados. (Equador).

         9 — V. odorata Presl.

6b - Labelo ao todo de 5-5,5 cm., ápice ovalado obtuso e ornado de barbelas lombricoides em toda a superfície interna. (Minas ?).

         10 — V. dubia Hoehne.

7a — Coluna referida como pilosa na face anterior (veja-se entretanto tambem entre as das alíneas seguintes, em que a coluna não foi descrita nesse particular)....8

7b - Coluna dada como glabra na face anterior ou não descrita nesse particular....16

8a - Caules, onde referidos, sempre grossos, carnosos e quebradiços; fôlhas em regra grandes e carnosas, raramente mais delgadas....9

8b - Caules onde mencionados mais finos, fôlhas mais membranáceas e reticuladas, em regra mais ovaladas, raro oblongadas ou completamente atrofiadas; flores menores e mais descerradas....14

9a - Sépalos de 8 cm. de comp., na extremidade acanoados e ápice obtuso; fôlhas elíptico-oblongadas, obtusas, raro aguçadas, de 14-25 x 5-8 cm. (Mato-Grosso e até às Guianas e México).

11— V. pompona Scheide (veja-se igualmente sob o n.° 25).

9b - Sépalos de menos do que 7 cm. de comp., menos acanoados na extremidade e um tanto aguçados; fôlhas sempre mais oblongadas ou linear-oblongadas....10

10b - Sépalos de 5 cm. de comp.; fôlhas linear-oblongadas, extremidade obtusa ou pouco aguçada e recurvada; frutos muito volumosos, de 16-22 cm. x 2-3 cm. de larg. mediana. (Argentina, região do Chaco). 

12 — V. argentina Hicken.

10b -           Sépalos de 5-7 cm. de comp.; frutos menores....11

11a - Flores flagrantemente bicolores, sépalos e pétalos avermelhados e labelo amarelado, de 6,5-7 cm. de comp.; fôlhas subsésseis, oval-oblongadas, margens cintadas de vermelho. (Guiana e Amazonas).

13 — V. bicolor Lindl.

11b - Flores não manifestamente bicolores, mais verde - amareladas....12

12a - Labelo mais longo que os sépalos laterais, a saber, de 7-7,5 cm. de comp., contra aqueles que medem apenas 6-6,5 cm. de comp.; fôlhas linear-oblongadas, rijas e coriáceas depois de sêcas, em vivo carnosas e espêssas. (do sul do Brasil ao Pará ?).

14 — V. chamissonis Klotzsch.

12b - Labelo do comprimento ou mais curto que os sépalos laterais....13

13a - Fôlhas oval-oblongadas, base larga e arredondada e ápice abruptamente aguçado, nas margens com faixa mais amarela, em regra de 12-22 x 3-6,5 cm. (Do México ao sul do Brasil).

15 — V. planifolia Andr.

13b - Fôlhas não marginadas de faixa mais clara, coriáceas, rijas e com as margens fortemente recurvadas em estado sêco, de extremidades atenuadas e de 16-22 x 2,5-3 cm. de larg.; labelo com calo na extremidade superior constituído de linhas destacadas. (Pará até Pernambuco).

16 — V. gardneri Rolfe.

14a - Ovário mais ou menos    trigonado, no ápice com caliculo; plantas apífitas entre as bainhas das frondes de palmeiras. (Brasil central e setentrional).

         17 — V. palmarum Lindl, (com uma variedade).

14b - Ovário mais ou menos roliço (exceção da V. calyculata Schltr. da Colômbia e referida mais adiante); plantas em regra terrestres que sobem aderindo aos troncos com raizes adventícias....15

15a — Pétalos de até 2 cm. de larg, e 4-4,5 em, de comp.; fôlhas oval-oblongadas e acuminadas, mas ápice obtusado, (Mato-Grosso).

18 — V. lindmaniana Kraenzl.

15b - Pétalos de menos do que 1 cm. de larg.; labelo de 5,5 cm. de comp.; fôlhas pecioladas, oblongo- lanceoladas, levemente acuminadas, ponta pouco aguçada. (Amazonas e Guianas).

19 — V. sprucei Rolfe.

16a - Fôlhas reduzidas até completamente atrofiadas....17

16b - Fôlhas perfeitamente desenvolvidas e de formato variável....18

17a - Plantas humícolas ou terrestres, eretas, ramificadas (segundo parece); fôlhas triangular-ovaladas, de 3 x 1,5 cm., pouco patentes, (S. Paulo). 

20 — V. dietschiana Edwall.

17b - Plantas escandentes, áfilas ou fôlhas reduzidas a pequenas escamas tríangular-ovaladas, de 3-8 mm. de comp. (índias ocidentais até Mato-Grosso).

 21 — V. eggersi Rolfe.

18a - Caules mais espessos e carnosos....19

18b - Caules delgados, menos espessos....23

19a - Flores solitárias nas axilas; caules nem mui delgados nem grossos; labelo alvo com máculas verdes nas lamelas do disco, base amarelada, evidentemente trilobado, lobo mediano triangular-acu-minado. (Paraguai e região do Chaco).  

22 — V. bertoniensis Bert.

19b – Flores em racimos axilares, com brácteas pequenas e escamiformes....20

20a — Sépalos e pétalos de até 5 cm. de comp.; labelo  com   o ápice recortado; ovário com calículo terminal como na V. palmarum Lindl. porém roliço. (Colômbia, no Cauca).

23 — V. calyculata Schltr.

20b - Sépalos e pétalos de mais de 5 cm. de comp....21

21a - Flores de 10-11 cm.; fôlhas oblongo-lanceoladas, acuminadas, de 20 cm. x 3,5-4,5.cm. (Amazonas).

24 — V. trigonocarpa Hoehne.

21b - Flores de 8 cm. de comp.; fôlhas obovaladas, atenuadas para a sua base  e terminadas em ponta aguçadissima, de 15-18 x 3,5-5 cm. de larg.(Amazonas e Pará).

25 — V. purusara Barb.. Rbr. f.

21c - Flores de até 7 cm, de comp....22

22a - Fôlhas elíptico-oblongadas, de 15-20 x 4-7,5 cm. de larg. (Guianas).

26 — V. guianensis Splitg.

22b - Fôlhas laneeolar-oblongadas, acuminadas de perto, mas ápice obtuso, de 13-23 x 4,5-7,5 cm. de larg, (Guiana Holandesa).     

27 — V. Hostmani Rolfe.

23a - Flores normalmente solitárias nas axilas das fôlhas, raro geminadas ou nas extremidades dos ramos. (Verifica-se todavia uma transição em alguns casos, onde as fôlhas poderiam ser interpretadas como brácteas ou como fôlhas menores)....24

23b - Flores normalmente em racimos axilares, as brácteas porém algumas vezes foliáceas e nesses casos difícil se torna verificar a natureza do racimo....27

24a - Labelo de ápice obtuso ou arredondado, disco com 9 lamelas sôbre fundo amarelado, de 22-24 mm. de comp. e no meio de quasi igual largura, assim de âmbito quasi orbicular. (Paraguai).

28 — V. perexilis Bert.

24b - Labelo de ápice aguçado ou mesmo acuminado....25

25a - Labelo de 2 cm. de comp., indistintamente trilobado, com dupla série de verrugas no disco. (Missiones, Argentina).

29 — V. verrucosa Hauman.

25b - Labelo de 4 cm. de comp., evidentemente trilobado....26

26a - Labelo de âmbito mais ou menos redondo, mas lobos laterais bem destacados e disco com 9 lamelas espêssas, das quais a mediana mais destacada; sépalos e pétalos largos. (Serra do Mar).

30 — V. parvifolia Barb. Rdr.

26b - Labelo de âmbito mais elipsoide, de 4 x 2 cm. diam., lobos destacados, disco com poucas linhas mais elevadas; sépalos e pétalos estreitos e acuminados. (S. Paulo e Rio de Janeiro).

31 — V. Edwallii Hoehne.

27a — Labelo de menos que 3 cm. de comp....28

27b - Labelo de mais de 3 cm. de comp., mas no máximo de 4,5 cm....29

28a - Sépalos e pétalos de 1,5-3 cm. de comp.; labelo de 2,5-2,7 x 2,3-2,5 cm. de diâmetro, obtuso, no disco, do meio para o ápice, com 3 séries de verrugas. (Paraguai).

32 — V. Rojasiana Hoehne.

28b - Sépalos e pétalos de mais ou menos 3,5 cm. de comp.; labelo de 2,8 X 1,7 cm., ápice triangular- acuminado, disco com 3 elevações califormes. (Guapira, S. Paulo).

33 — V. Bradei Schltr.

29a - Pétalos no ápice obliquamente bilobados, de 4,6-4,9 x 1,5-1,8 cm. de diâmetro; labelo de âmbito hexagonal, de 4,4 cm. de comp. sôbre igual largura entre os lobos, disco na base com 3-5 linhas elevadas que confluem no meio dêle em calo que prosegue até ao seu ápice; sépalos e pétalos largos. (Guiana Inglêsa).      

34 — V. latisegmenta Ames & Schweinf.

29b - Pétalos em seu ápice não emarginados, normais e mais estreitos...30

30a - Labelo no ápice aguçado ou acuminado....31

30b - Labelo no ápice obtuso ou obtusado....32

31a – Labelo mais curto que os sépalos laterais, ligeiramente trilobado, de 3-4 cm. de comp. e igual largura mediana, disco    com carína mediana despida. (Jamaica, México, América Central e parte da América meridional).     

35 — V. aromatica Sw.

31b - Labelo mais curto que    os sépalos laterais, lobos laterais e o mediano oblongados, ao todo de 3-3,5 cm. de comp., no disco com a nervura mediana destacada. (Rio de Janeiro).

36 — V. organensis Rolfe.

32a - Labelo de 3 X 3 cm., trilobado, disco com 3 linhas destacadas até ao meio, de lá e até ao ápice levemente verruculoso. (Litoral de Iguape, S. Paulo).

37 — V. angustipetala Schltr.

32b - Labelo de 3,7-4 cm. de comp., disco tricarinado; fôlhas relativamente grandes e algo parecidas com as da V. aromatica Sw., (Guianas, Amazonas e Pará).

38 — V. ovala Rolfe.

 

6. Especies

6.1. Vanilla ensifofia Rolfe, - “Kew Royal. Gar- dens, Bull. of Misc. Informations ” (1892) p. 141.

Escandentes, caules alongados, sulcados e glabros; fôlhas na base contraídas em pseudo- pecíolo, linear-oblongado, acuminadas e aguça-das, de 10-20 cm. de comp. e 7-20 mm. de larg., pseudo-pecíolo de 5-10 mm. de comp.; racimos aonlares, curtos, flores quasi fasciculadas; brácteas lanceolado-ovaladas, aguçadas, de 5-7,5 mm. de comp.; pedicelo de 2,5-3 cm. de comp.; sépalos linear-lanceolados, aguçados, de 5 cm. de comp. e 7 mm. de larg.; pétalos semelhantes aos sépalos, sub-falcados, na nervura central no lado exterior espessados; labelo elíptico-oblongado; coluna de 3 cm. de comp.; frutos não observados

Distr. Geogr.: Nova Granada é até Mato-Grosso.

Mat. Cit.: T. HANBURY,   Herb. da Sociedade Farmacêutica, colhida em Patia; — Goudot, Cauca, Colômbia, em 1884.

Observ.: O autor da espécie disse que, pelas fôlhas semelhantes à lâmina de uma faca, esta espécie distingue-se de entre as afins; que, toda-via, a única flor examinada, já não possuindo o labelo, impossibilitára-o de fazer a descrição completa. Faltando a menção das caraterísticas do disco do labelo, como faltam referências à face anterior da coluna, torna-se efetivamente dificil distribuir a espécie no gênero.

O material colhido e desenhado por Spencer Le M. Moore, no Estado de Mato-Grosso, do mesmo modo estéril, nada adiantou para a elucidação, mas contribuiu para o conhecimento da área de dispersão geográfica da planta.

Acreditamos que a afinidade desta planta deverá ser procurada na V. fimbriata Rolfe, que, por ser turno, fica muito próxima da V. Ribeiroi Hoehne, que foi colhida em Mato-Grosso. Por acreditarmos que assim seja, colocámo-la aqui porque o crenulado referido para os bordos do labelo talvez possa ser realmente um finbrilhado como o das duas espécies seguintes.

 

 

 

6.2. Vanilla uncinata Huber (no herb. do Museu Goeldi, Pará); — F. C, Hoehne, - “Arch. Do Inst. Biol.”, S. Paulo, vol. VIII (1937) p. 269.

Escandentes, caule com raizes adventícias relativamente raras e opostas aos pecíolos, entrenós de mais ou menos 10 cm. de comp. e 5 mm. de diâmetro transversal; fôlhas quasi confundíveis com as da V. ensifolia, porém com o ápice recurvado em ponta de gancho, de âmbito geral linear-lanceolado ou mais fielmente linear-ensiforme, sôbre pseudo-pecíolo canaliculá-do na face de cima, de 10-15 mm. de comp. e o limbo mesmo de base, acima dessa parte, um tanto truncado-arredondado, de 14-18 cm. de comp. e 2 cm. de larg. mediana; racimos axilares com raque de 4-6 cm. de comp. e 10-12 flores relativamente agregadas; brácteas oval-conchoides, obtusas, patentes, de 5-10 mm. de comp. e 2-2,5 de larg.; flores esverdeadas com labelo branco, ornado de pequena mácula amarela, de 4.5 – 5 cm. de comp.; ovário levemente arcado, de 2.5 - 3  cm. de comp.; sépalos lanceolados, aguçados, de 4,5-5 cm. de comp. e 8 mm. de larg., para a base atenuados; pétalos mais estreitos, com a nervura central salientada do lado exterior e terminada sob o ápice em ponta assovelada livre, do comprimento dos sépalos, mas de apenas 6-7 mm. de larg. acima do meio, ápice obtuso; labelo obovalado, em posição natural trombeti- forme aconchado, com a parte ventral protusa sob o ápice, bordos ali ondulado-crespados, na mesma região com a superfície interna ornada de barbelas bifurcadas, lombricoides, ásperas, mas sem ponta arteri-forme, ápice recurvada de modo a deixar essas ditas barbelas mais expostas, no meio do disco sob a antera, com um fascículo de 4-5 membranas caliculiformes fendilhadas, para a base do disco com pubescencia e os bordos até ao meio da coluna soldados aos da face ventral desta, ao todo de 4 cm. de comp., e distendido de 2 cm. de larg.; coluna na parte ventral pilosa, de 2,5 cm. de comp.; frutos ignorados.

Distr. Geogr.:Pará e Amazonas.

Mat. Exam.:Mus. Goeldi, Pará: N.° 7.392 — J. Hubek, cultivada no Jardim do mesmo estabelecimento, de exemplar colhido pelo Dr. André Goeldi, no Rio Purús, florida em 8-1906.

Jard. Bot., Rio de Janeiro: N.° 19.446 — A. Ducke, Rio Branco, Óbidos, Pará, em 14-9-1927.

Observ.: A descrição supra, baseada no material citado, evidencia o que conseguimos constatar. Todavia, parece-nos que a afinidade desta espécie, cuja descrição naturalmente nunca foi publicada, tende mais para a V. ensifolia Rolfe, que, por seu turno, deverá ter relação com a V. hamata Klotzsch e a V. Ribeiroi Hoehne; bastará todavia examinar as referências nas chaves, as ilustrações e notas publicadas aqui para se descobrir que, a- pezar-de tudo, não é possível reunir qualquer uma delas com outra.

 

 

6.3. Vanilla Ribeiroi Hoehne, - “Comm, Lin. Tel. Estr. M. Gr. ao Amazonas” Bot. part. I (1910) p. 28, táb. 6.

Caule alongado pouco ramificado, escandente entre os ramos e com raizes adventícias, opostas à inserção das fôlhas, aderente aos troncos das árvores da mata, na região florífera de 5-6 mm. de espessura, nos nós levemente espessado; fôlhas um pouco mais compridas do que os entrenós, patentes e até reflexas, por cima mais intensamente verde brilhantes do que no dorso, linear-oblongadas, no ápice aguçadas e abruptamente recurvadas, base quasi séssil, obtusa, de 10-15 cm. de comp. sôbre 1,5-3 cm. de larg. mediana ou mais estreitas, pecíolo espêsso é profundamente canaliculado na face superior, 14-16 nervuras longitudinais, que, em estado sêco, ficam evidentes; racimo floral formado por curto ramo lateral com fôlhas ou terminal, com 2,5-5 cm. de comp. e 5-12 flores alvas com o centro do labelo amarelo, de 4-5 cm. de comp.; ovário reto ou levemente arcado, roliço, de 2-3 cm. com o pedicelo; sépalos ereto-patentes, depois de secos tenuemente membranáceos, em estado vivo um tanto carnosos, côncavos, com o ápice in-curvado, dorso arredondado e não carinado, o dorsal oblongo-espatulado, obtuso, de 4,5-5 cm. sôbre 13-15 mm. de larg., os laterais mais aguçados, do mesmo comp. e parte superior de 13-15 mm. de larg.; pétalos mais estreitos e menos evidentemente espatulados, obtusos, de 4-4,5 cm. e parte superior de 10-12 mm. de larg.; labelo,

como os sépalos e pétalos, alvo-lacteo, no disco longamente piloso e amarelo, sendo êstes pêlos longos, terminados em fascículos de curtos raios, bordos superiores longamente franjados e re-curvados, âmbito obovalado, ápice arredondado, sem sinais de lobos, não ou mui levemente emar-ginado, de 3-4 cm. sôbre 17-20 mm. de larg. no terço superior, franjas dos bordos de 2-4 mm. de comp., pêlos do disco de 1-1,5 mm. de comp., amarelos e curvados para dentro; coluna ereta, levemente arcada, de 2,7-3 cm. de comp.

Distr. Geogr.: Matas do Rio Jaurú, no município de São Luiz de Cáceres, em Mato Grosso.

Mat. Exam.: Com. de Linhas Tel. Estr. Mato-Grosso ao Amazonas: N.° 997 - F. C. Hoehne (colhida por A. de M. Ribeiro), matas do Rio Jaurú, perto do Barrancão, na região baixa e alagadiça, porém, em terrenos sêcos, em Nov. de 1908. (Mus. Nac. Rio de Janeiro, n.° 2.512).

Observ.: A forma das flores e o revestimento piloso do disco do labelo longamente franjado nos bordos superiores, a coloração nívea com o amarelo-cromo do disco e pêlos do labelo, constituem caraterísticos que, ao lado da forma das fôlhas, devem ser considerados nesta espécie. Não sabemos se a seguinte tem os pêlos ou barbelas terminados em fascículo de curtos pêlos como acontece aqui, mas a precedente é bem distinta, tanto pelas fôlhas como pelos citados apendices do labelo.

 

 

6.4. Vanilla fimbriata Rolfe, - “Kew Royal Gardens, Bul. Misc. Information” (1899) p. 133.

Caule pouco espesso, com entrenós de 8-14 cm. de comp.; fôlhas para a base atenuadas em curto pseudo-pecíolo, com limbo lanceolado ou linear-oblongado, aguçado até acuminado, de 6,5-         14 cm. de comp. e 15-21 mm. de larg., mais ou menos espesso, pseudo-peciolo citado de 4-6 mm. de comp.-; racimos espessos, de 2,5-3 cm. de comp., multifloros; brácteas oval-oblongadas, obtusas, de 7-10 mm. de comp.; pedicelo com o ovário de 20-30 mm. de comp.; sépalos e pétalos linear-lanceolados, subobtusos, de 27-31 mm. de comp.; labelo de 25-27 mm. de comp., na parte inferior, em longa extensão, concrescido com as margens da face ventral da coluna, formando assim um tubo afunilado longo e terminado em limbo de 11 mm. de larg., obtuso e fimbrilhado, no disco com linhas destacadas e crista carnosa, pouco fimbrilhada em posição retrorsa; coluna delgada, de 20-22 mm. de comp.; fruto não referido.

Distr. Geogr.: Guiana Inglesa, Rio Barima.

Mat. Cit.: Jenman, n.° 6.771, na localidade citada.

Observ.: O autor desta espécie disse que ela se aproxima bastante da V. ensifolia Rolfe, mas tem fôlhas mais curtas e flores menores. Das últimas referiu que são dadas como verdes externamente e alvo-esverdeadas internamente, com labelo esbranquiçado e fauce amarela.

Não fosse a nossa V. Ribeiroi de flores completamente brancas, com labelo internamente amarelo-cromo e crista alaranjada, maior nas dimensões dos sépalos e pétalos, bem como largura do labelo, estariamos inclinados a acreditar na sua identidade com esta espécie. Suas flores possuem o labelo não apenas franjado ou fimbrilhado, mas completamente barbelado, e como poderemos ver pela ilustração que apresentamos sob o n.° 3 estas barbelas são roliças, teniformes e terminam num fascículo ou pincel de curtos pêlos. Detalhe que não poderia ter escapado a Rolfe, caso fosse peculiar à V. fimbriata.

Para esclarecer a relação entre as Vanilla: ensiformis, Ribeiroi, fimbriata, uncinata e outras descritas do Amazonas e das Guianas, precisamos chamar atenção para o que foi referido na chave e nas demais observações nas mesmas citadas espécies, que, sem exceção, são maiores nos detalhes florais.

 

 

 

6.5. Vanilla Schwackeana Hoehne, - “Arq. do Bot. do Est. de S. Paulo”, nova série, vol. I (fase. 6 - 1944) p. 125 táb. 135.

Escandente com o caule reptante nos troncos das árvores, aos quais se afixa por meio de raizes adventícias extra-axilares, entrenós de 6-  8 cm. de comp. e 3-4 mm. de espessura; fôlhas sôbre pseudo-pecíolo curto (de 6-8 mm. de comp.) com limbo oboval-lanceolado, na base obtuso e no ápice abruptamente acuminado em ponta um tanto assimétrica e aguçadissima; flores com ovário séssil, de 3-3,5 cm. de comp., de coloração ignorada; sépalos iguais entre si, os laterais porém um pouco obliquados e arcados, espatular-oblongados, subobtusos, de 4-4,5 cm. de comp. e no têrço superior de 1 cm. de larg.; pétalos do comprimento dos sépalos, igualmente subobtusos, com a nervura mediana exteriormente destacada e solta em ponta sob o ápice, pouco mais estreitos que os sépalos; labelo fortemente aconchavado, no têrço inferior concrescido com os bordos da face ventral da coluna, praticamente singelo, do comprimento dos sépalos laterais e distendido de 2,5 cm. de larg. no terço superior com as margens laciniadas ou crenuladas crespas, no centro ali com uma série de linhas espessadas e verruciformes que se destaca como calo justamente na curvatura dessa região quando em estado natural, no disco com fascículo de membranas caliculadas e fortemente fimbrilhadas; coluna ligeiramente curvada, até ao meio ligada com os bordos do labelo, ao todo de 2,7 cm. de comp.; frutos linear-roliços, levemente sinuosos, de 15 cm. de comp. e 7-8 mm. de grossura mediana.

Distr. Geogr. Minas?

Mat. Exam.: Jard. Bot., Rio de Janeiro: N.° 37.015 - Schwake, n.° 11.106, no ex-Herb, Leonidas Damazio, Belo Horizonte, Minas, s/ind, de procedencia ou data.

Observ: material original desta espécie compõe-se de um ramo estéril com 5 fôlhas e duas flores destacadas, sem o resto da inflorescencia. Por isto constata-se que os elementos são insuficientes para se firmar com segurança as caraterísticas; todavia, considerando que são componentes da planta, e examinando-se o labelo, constata-se sem maior dificuldade que efetivamente deve ser uma espécie ainda desconhecida. Ficará para averiguar posteriormente se houve troca ou mistura de elementos.

 

 

 

6.6. Vanilla marowynensis Pulle, - “Enum. Vasc. Pl. Surim.” (1906) p. 118, táb. IV e Fedde, Repert. Spec. Nov.” vol. III (1907) p. 285.

Caule relativamente longo, robusto, roliço, geniculado, carnoso, nos nós radicífero; fôlhas curta e espessamente pecioladas, em regra uma até uma e meia vez mais compridas que os entrenós, depois de sêcas coriáceas e rijas, com as margens fortemente recurvadas, oval-lanceoladas, no ápice arredondadas mas bruscamente acuminadas, na base arredondadas e mesmo ligeiramente cordadas e abruptamente contraídas no citado pseudo-pecíolo, que é sulcado em sua face superior e mede cêrca de 1 cm. de comp., o limbo propriamente dito de 12-15 cm. de comp. por 4,5-6 cm. de larg. mediana, estriolado em nervuras destacadas nitidamente em estado sêco; racimos com pedúnculo curto, eretos e raque espêssa, com 12 flores, de 4 cm. de comp.; brácteas pequenas, obtusas, mui côncavas, de 4 mm. de comp. e 2 mm. de larg.; ovário arcado, roliço de 4 cm. de comp.; flores grandes, de mais ou menos 5 cm. de comp.; sépalos oboval-lanceolados, atenuados para a base, no ápice obtusos, de 5 cm. de comp. e 16 mm. de larg., atravessados de 9-11 nervuras; pétalos do comprimento dos sépalos ou ligeiramente mais curtos e 14 mm. de larg., mais ou menos espatulados, para a base atenuados e no ápice arredondados, a nervura central dorsalmente destacada e sob o ápice terminada em aresta; labelo na parte basal concrescido com os bordos da face ventral da coluna, unguiculado, internamente ornado de pêlos bastos, limbo patente, ligeiramente trilobado, lobos laterais mui inflados, o mediano inciso, com as margens ondulado-crespadas, com apêndices foliáceos bastos, ao todo de 4-5 cm. de comp. e 1,5 cm. de larg.; coluna de 3 cm. de comp., na sua face anterior pilosa; frutos desconhecidos,

Distr. Geogr.: Guiana Holandêsa.

Mat. Cit.: Verteegj n.° 623, alto do Rio Marowyne, perto de Poeloegoedoe, na Guiana Holandêsa, em Julho.

Observ: Na descrição supra, que é a tradução da original e sua estampa, que reproduzimos surpreende-nos a grande largura dos sépalos e pétalos em relação ao seu comprimento e ainda comparado à largura do labelo. Acreditamos que, talvez, a largura dêste último tenha sido calculada em posição natural e não expandido. Aliás, no segundo trabalho referido, saiu, por um lapso tipográfico, 15 cm., em lugar de 15 mm.

Não fossem tão diferentes as ditas larguras dos segmentos florais, não teriamos dúvida alguma de que o material por nós aqui descrito como V. cristagalli ou aquele da V. cristato-callosa lhe deveria pertencer, mas a isto opõem-se ainda outros detalhes evidenciados nas ilustrações aqui apresentadas.

A estampa não pode ser a reprodução da planta em tamanho natural. Pelo menos o caule e as fôlhas são dados em 3/4 das dimensões expostas na descrição original.

 

 

 

6.7. Vanilla cristagalli Hoehne, - “Arq. Bot. Est. S. Paulo” nova série, vol. I (fase. 6 - 1944) p. 125 táb. 136.

Escandente, relativamente robusta, caule de espessura mediana, com entrenós de 10-15 cm. por 7-8 mm. de grossura, emitindo raizes adventícias do lado do pecíolo das fôlhas, com que se afixa aos troncos e ramos, estas raizes tomentosas enquanto novas, depois revestidas de camada de velame; fôlhas com pseudo-pecíolo destacado e mais escuro, de 2 cm. de comp., na face de cima canaliculado e limbo oblongado, na base arredondado ou obtuso e no ápice terminado em ponta aguçadissima acuminada de perto, de 12-16 cm. de comp. total e 3,5-5 cm. de larg. mediana, nervuras destacadas e mais do que 20, com menos visíveis intercaladas; racimos axilares, raque de 3-4 cm. de comp.; brácteas numerosas, ovaladas, obtusas, côncavas, patentes, de 5-7 mm. de comp. e 2-3 mm. de larg.; ovário séssil, no ápice levemente curvado para deixar a flor em posição horizontal e altrodeado de calosidade destacada, ao todo de 3,5-4 cm. de comp.; sépalos espatular-oblongados, obtusos, de 5,2 cm., o dorsal, no terço terminal, de 1 cm., os laterais de 1,3 cm. de larg., êstes levemente falcados e um tanto aconchavados na parte superior, aquele mais plano; pétalos do comprimento do sépalo dorsal, com a nervura central destacada e sob o ápice projetada em aresta livre, no meio de 1 cm. de larg., para a base atenuados e um tanto falcados; labelo trilobado, na parte inferior com os bordos concrescidos com os da face ventral da coluna, lobos laterais eretos e o mediano inciso, no disco com a antera sem o fascículo de membranas fendilhadas, mas de lá para cima com a nervura mediana ornada de membranas longitudinalmente dispostas e no lobo mediano com uma crista transversal fendilhada e membranácea, ao todo de 4 cm. de comp. e entre os lobos de 2,5 cm. de larg. em estado distendido; coluna na face anterior ou ventral pilosa, levemente arcada e de 3 cm. de comp.; frutos ignorados.

Distr. Geogr: Alto Amazonas.

Mat. Exam.: Jardim. Bot., Rio   de Janeiro: N.° 14.512 - A. Ducke, S. Paulo de Olivença, Amazonas, em 23-10-1931, em matas de terra firme, nas ribanceiras de um corrego; fl. amarelo-esverdeada, quasi inodora, com labelo alvacento.

Observ.: O referido sob a V. cristato-callosa Hoehne e V. marowynensis Pulee, bastará para mostrar-nos a relação que ela tem com as mesmas. Convem referir ainda que, provavelmente, material desta espécie deverá existir nos herbários classificado como sendo de V. fimbriata Rolfe, que é bastante menor e tem labelo direntemente construído.

 

 

 

6.8. Vanilla cristato-callosa Hoehne, - “Arq. Bot. Estado São Paulo”, nova série, vol. I (fasc. 6-194p. 125 táb. 137.

Escandente, caules relativamente rijos (no material apenas presentes em pedaços curto) de 4-5 mm. de diâmetro transversal, com raizes adventícias extra-axilares; fôlhas depois de secas mais ou menos rijas, porém não perfeitamet coriáceas, oblongadas até espatular-oblongadas em seu âmbito, pseudo-pecíolo de 15 mm. comp., mais escuros, na face de cima sulcado - canaliculados, limbo de 10-13 cm. de comp. por 2,8-3,2 cm. de larg. mediana, na base arredondado e reflexo e no ápice abruptamente acuminado em ponta curta e obtusada, multinerva racimos axilares, relativamente espêssos, com raque de 4-5 cm. de comp.; bráteas oval-oblogadas, obtusas, aconchavadas e patentes, de mm. de comp. e 2-3 mm. de larg.; ovário séssil na extremidade levemente espessado mas não caliculado, antes um pouquinho caloso nos rebordos, na antese de 4-5 cm. de comp. e no ápice curvado; flores dadas como esverdeado-pálidas, inodoras, de 5,5 cm. de comp.; sépalos oblongo-espatulados, obtusos, para a base atenuados, com 9-11 nervuras, de 5-5,5 cm. de comp. e 12-14 mm. de larg., os laterais mais aconchavados; pétalos do comprimento e de igual largura dos sépalos, no lado dorsal com a nervura destacada sob o ápice livre em aresta, obtusos; labelo lobado, no terço inferior com os bordos liga aos da face ventral da coluna, lobos laterais eretos è incurvados na extremidade denteados, o mediano orbicular-alongado, inciso, no disco, abaixo do meio, com revestimento piloso pouco perceptível, na região mediana, sob a antera com fascículo de membranas caliculiformes franjadas e na região do istmo com espessamento caloso franjado como crista, ao todo de cm. de comp. e na região dos lobos, em estado distendido, de 3 cm. de larg.; coluna leveme arcada, na face anterior pilosa, de 2,5 cm. comp.; frutos ignorados.

Distr. Geogr.: Amazonas, Manaus.

Mat. Exam: Jard. Bot., Rio de Janeiro: N.º 37.468 - A. Ducke. Manáus, matas de terra firme arenosa, no Pensador, em 20-10-1935.

Observ.: A respeito desta espécie não poderemos deixar de externar as nossas dúvidas sôbre o fato de que ficamos durante longos dias em suspensão a respeito da maneira como deveríamos resolver esta questão, porque nos parece insofismável que ela, como a V. cristagalli Hoehne, deve ter sido confundida bastas vezes com a V. fimbriata Rolfe descrita em 1899, com flores mlito menores, e ainda com V. Marowynensis Pulle, que se distingue por labelo evidentemente mais estreito, além de outros detalhes. Mas as caraterísticas do labelo, com sua crista interessantíssima, lobamento e presença dos calículos no centro do disco, não parmitiram que a juntássemos a qualquer das três.

Indubitávelmente, esta e as duas últimas descritas aqui, são bastante afins entre sí. Repare-se, todavia, a forma do labelo e o seu apêndice no disco.

 

 

 

6.9. Vanilla odorata Presl., - “Reliq. Haenk” (1830) p. 101; — Klotzsch, - “Bot. Zeit.”, vol. IV, p, 563; — Rolfe, - “Kew Bull.” (1895) p. 178 e no “Journ. Linn. Soc.” vol. XXXII (1895) p. 471; — Kraenzlin, - “Not. Blatt, Bot. Gart. Berlin”, vol. VII (1921) p. 319;     Oakes Ames, - “Schedulae Orchidianae”. fasc. IX (1925) p. 1, táb. 1.

Alto-escandente, com o auxilio de raizes adventícias com que se fixa aos troncos e ramos das árvores; caule relativamente grosso, depois de seco alvo-gríseo, de 7-8 mm. de diâmetro; fôlhas curto-pecioladas, subobliquadas, lineares e cultriformemente acuminadas, na base com maior largura, espessos, carnosas, de até 20 cm. de comp. e perto da base de 2 cm. de larg., en-trenós de 10-12 cm. de comp.; racimos axilares, com raque de 3-4 cm. de comp. e até 12 flores que desabrocham sucedendo-se; brácteas oblongadas, aguçadas, de 8 mm. de comp., mas as inferiores sempre um pouco maiores; sépalos linear-acuminados, o dorsal de menor largura, mas todos de 4,5-5,2 cm. de comp., o dorsal acima do meio de 11 mm. e os laterais um pouco mais largos; pétalos linear-lanceolados, do comprimento dos sépalos, de 10 mm. de larg. mediana; labelo para a base cuneiformemente atenuado e em longa extensão soldado com os bordos da face ventral da coluna, alargado para o ápice e alí ligeiramente trilobado, com as margens anteriores crenulado-dentadas, mais ou menos erosas, no disco com um meandro de venulações e abaixo do meio, sob a antera, com um fascículo de membranas caliculadas e fendilhadas, os pseudo-lobos laterais pouco destacados, eretos, o mediano triangular-aguçado, mas mais ou menos obtuso, reflexo, ao todo de 4,5-5 cm. de comp. e na parte mais larga de 2,2 cm. de larg.; coluna pouco curvada, linear, no ápice capitelada, na face pilosa; frutos (segundo a ilustração de Oakes Ames) roliços ou levemente trigonados, linear-roliços, nas extremidades bruscamente curvados e capitelados, de 12-20 cm. de comp. e 1 cm. de diâmetro máximo.

Nom. Vulg.: “Vainilla".

Distr. Geogr.: Equador, San José, em Baláo e em Guaiaquil, freqüente nas plantações de cacaueiros e nas árvores de sombra.

Mat. Cit.: Dr. Preuss, n.° 1.952, colhida em 11 de Nov. de 1899.

Observ.: Esta espécie tem sido discutida por vários autores porque foi, inicialmente, baseada em material apenas frutífero. Por esse motivo Kraenzlin considerou-se autorizado a descrevê-la melhor, mas o fez, segundo parece, pelo material de herbário, sem distender as flores, e em conseqüência as dimensões indicadas na sua descrição tiveram de sofrer novas retificações que se deduzem da ilustração apresentada mais tarde pelo Professor Dr. Oakes Ames.

No que concerne à forma das fôlhas e ao tamanho das flores, torna-se insofismável a afinidade desta espécie com a V. uncinata Huber e a V. ensifolia Rolfe, mas os detalhes do labelo separam-na muito, segundo se depreende da estampa que Oakes Ames forneceu e que aqui reproduzimos elevada apenas ao tamanho natural. Foi exatamente por essa ilustração que verificamos a diferença das dimensões citadas ha pouco.

Kraenzlin, ao descrever a planta, afirmou que os seus frutos são tão fortemente aromáticos que, mesmo depois de conservados 36 anos, ainda desprendiam o seu suavíssimo aroma. Acreditou, por isto, que talvez os empreguem para misturar com outras bainhas, afim de torná-los mais preciosos nos mercados.

 

 

 

6.10. Vanilla dubia Hoehne, - “Arq. de Bot. do- Est. de S. Paulo” nova série, vol. I (fasc. 6 - 1944) p. 126 táb. 138.

Escandente, com caule e inflorescências desconhecidas por não figurarem no material original; fôlha (única existente) em nada diferente daquelas da V. Gardneri Rolfe, a saber, linear-oblongada, crasso-coriácea, com os bordos fortemente recurvados, base contraída em pseudo-pecíolo e ápice abruptamente terminado em ponta obtusa e espessada, de 20 cm, de comp. total e no meio de 3 cm. de larg. máxima; inflorescência, a concluir pelo número de flores soltas no material, provavelmente racimosa e pluriflora como na dita espécie; ovário séssil de apenas 15 mm. de comp.; sépalos linear-oblanceolados, mais aguados que obtusos, na extremidade um pouco espessados e para a base atenuados, de 5 cm. de comp. e 8-9 mm. de larg.; pétalos do comprimento dos sépalos, mas de apenas 6-7 mm. de larg., com a nervura central externamente destacada e terminada em ponta livre sob o ápice; labelo no têrço inferior concrescido com os bordos ventrais da coluna, de lá aberto em limbo côncavo-infundibulado, ligeiramente trilobado, com os lobos laterais inteiros, eretos, levemente ondulados, o mediano ovalado obtuso, recurvado, ornado em seu centro de um campo de barbelas lombricoides bem longas, que melhor se destacam graças à recurvatura dessa mesma parte, no disco, sob a antera, com um fasciculo de calículos membranáceos e fendilhados, ao todo de 5 cm. de comp. e distendido de 2,2 cm. de larg.; coluna de 3,2 cm. de comp., na face pilosa; fruto em forma de legume, carnoso e achatado, de 10 cm. de comp. e 15 mm. de larg. mediana, séssil e pouco curvado.

Distr. Geogr.: Completamente ignorada, mas provavelmente Minas.

Mat. Exam.: Jard. Bot., Rio de Janeiro: N.° 37.014 - Schwacke, n.° 11.107, no Herb. Leonidas Damazio, Belo-Horizonte, Minas. (s/data e outras indicações).

Observ.: O material original desta espécie é constituido de uma fôlha, um fruto e sete flores destacadas. Daí conclue-se que devemos admitir a possível mistura de elementos e que impossível se torna ajustar o total de modo a permitir uma idéia mais completa e perfeita da planta. Todavia, a estrutura das flores, especialmente do labelo das mesmas, é de tal modo caraterizada, que a espécie precisa ser definida e descrita como nova. Nossas dúvidas procuramos registar no próprio nome escolhido para a espécie.

 

 

6.11. Vanilla Pompona Schiede, - “Linnaea”, vol. IV (1829) p. 573; — Idem, - idem, vol. VI, p. 59; — Lindley, - “Gen. and Spec, Orchid.”, p. 437; — Klotzsch, - “Bot. Zeitschr.” (1846) p. 566; — Morren, - “Bull. Acad. Bel vol. XVII (1850) part. I, p. 120; — Wa “Ann. Bot.”, vol. I, p. 809; — Spach, “Vég. Phanér.” vol. XII, p. 191; — Reichenb Fil. - “Beitr. Orchid. Centr. Amer.” p. Seem., “Bot. Herald.” p, 214; — Hei -  “Biol. Cent. Amér. Bot.”, vol. III, 294; — Cogniaux, - “Mart. Fl. Br.”, III, IV (1893) p. 147, - Schlechter, - “1 heft. Bot. Centralb.”, vol. XLII (1925) p.

Sin.:  Vanilla grandiflora Lindl., - “Cand Spec. Orchid,” (1840) p. 435; — Morren -“Bull. Acad. Belg. ”, vol. XVII (1850) p I,    p. 131; — Warming, - “Symb. ad Fl. Centr.” part. XXX, p. 859.

V. lutescens Moq. - Tand, - A. Dupuis; “Revue Hortic.” sér. V, (1856) p. 121, fig e - “Bull. Soc. Bot. de France.” 1856, p. -      Duchtr, - “Journ. Soc. Imp. d’Horticult vol. V, (1859) p. 97, táb. XI; — “Gar Chron.” ann. 1859, p. 188; — “Fl. des Serres.” vol. XXI, táb. 2.218.

V. planifolia sensu Hoehne var. gigantea  Hoehne, - “Com. Lin. Tel. Est. M. G. Amazonas”, Bot. parte I (1910) p. 217.

V. surinamensis Reichb. f., - “Nederl. Kruidk Arch.” vol. IV (1859) p. 321.

Caule muito robusto, roliço, longo, fixi aos troncos das árvores com raizes adventíc carnoso, de 1-1,5 cm. de grossura; fôlhas levemente pseudo-pecioladas, patentes, por cima brilhantes, no verso mais opacas, nas margens treitamente cintadas de amarelo pelúcido, extremidade superior um tanto côncavas, cor ponta no começo inflexa, ápice agudo, de 14 cm. sôbre 5-8 cm. de larg., com mais ou menos 2,5-       3 mm. de espessura mediana, pseudo-pecíolo de 1 cm. de comp. e aconchavada, em estado sêco com as nervuras reticuladas e aparem inflorescências multifloras, isto é, com 6-8 ; res, 2-4 cm. de comp. no pedúnculo, com éste bastante espesso; brácteas dísticas, de 10-18 v de comp., oval-cordiformes; ovário indistintamente estriolado, de 5-6 cm. de comp.; sépalos e pétalos patentes, por cima côncavos e depois de sêcos tenuemente membranáceos, por cima canaliculados, oblongo-lanceolados, um tanto patulares, no ápice obtusos, um tanto arredondados, de 8-8,5 cm. de comp. e 12-16 mm. de larg., em regra com 9 nervuras, pétalos porém pouco mais curtos e mais estreitos que os sépalos, nas margens levemente ondulados, com carina dorsal de 2 mm. de larg.; labelo um pouco mais comprido que os sépalos laterais, na parte inferior longamente soldado à coluna, afunilado, no disco longitudinalmente cristado com apêndices, de 9-9,5 cm. de comp., internamente algo intenso amarelado, sob o limbo um tanto contraído, obscuramente trilobado, sinuosamente dentado nos lobos laterais e o mediano largo arredondado, disco com lamelas curtas e transversais, crenado-dentadas, retrorsamente imbricadas, sob o ápice com venulações pouco elevadas; coluna, na face anterior, pilosa, de 6-7 cm. de comp.; frutos mui aromáticos, arcados, na base e no ápice abruptamente atenuados, de 12-15 cm. de comp. e 16-18 mm. de larg.; sementes obovoides, lisas e brilhantes, de 0,2 mm. de comprimento.

Distr. Geogr.: Desde as Guianas e até Minas Gerais, Colômbia, México e norte da Argentina.

Mat. Exam.: Mus. Nac., Rio de Janeiro:N.° 2.513 - F, C. Hoehne, Com. Rondon, n.° 972, Poço da Fazendinha, Cáceres, Mato Grosso, em 9-1908. (Na publicação da Com. Rondon, por engano confundida com V. planifolia Andr. var: gigantea.)

Inst. de Bot. (Ex Depart. Bot. Est.): N.° 25.513 - D. Bento Pickel, n.° 2.213, Pernambuco, matas higrofilas, em 26-12-1929.

Jard. Bot., Rio de Janeiro: N.° 3.160 - J. G. Kuhlmann, n.° 415, Ajarani, Rio Branco, Amazonas, 4-1913; — n.° 19.447 - A. Ducke, Mosqueiro, Pará, matinhas das praias, 10-7-1927.

Observ.: As fôlhas nesta espécie distinguem-se daquelas da V. Chamissonis Klotzsch. por serem mais largas. Nêste particular confunde- se porém com a V. planifolia Andr. que as possue marginadas. De ambas aparta-se porém por ter as flores maiores.

 

 

 

 

6.12. Vanilla argentina Hicken, - “Ann. Soc, Cienc. Nat.” Argentina (1916) p. 235, e “Papers Bot. Sect., Prim. Reun. Nac. Soc. Argentina de Ciências Naturales” (1918) p. 235.

Escandente semi-epifita; caules ramificados, longos e carnosos; ramos floríferos de 1,5-2,5 cm. de diâmetro transversal; fôlhas sésseis ou levemente atenuadas em pseudo-pecíolo plicado com gue confina abruptamente o limbo oval-lanceolado, espesso, geralmente duas a três vezes mais longo do que os entrenós de caule, que em posição oposta à fôlha emite raizes adventicias sinuosas, cinzentas de 2 mm. de espessura, folha tôda de 12-20 cm. de comp. sôbre 3-5 cm. de larg., ápice abruptamente aguçado ou obtuso, recurvado; inflorescências axilares, racimosas, plurifloras em raque relativamente grossa, de 5-8 cm. de comp., ornada de brácteas lanceolar-ovaladas, côncavas, obtusas, que ficam sob a base dos pedicelos abrançando-os até ao meio ou em um têrço da circunferência, de 4-12 mm. de comp. por 3-7 mm. de larg.; sépalos iguais entre sí, os laterais um pouco falcado-obliquados, de 4,5       cm. de comp. por 1 cm. de larg. acima do meio, onde são mais aconchavados e incurvados, amarelo-esverdeados; pétalos semelhantes aos sépalos, um pouco mais curtos, e dorsalmente, da base ao ápice, percorridos por uma carina augulosa destacada, projetada sob o ápice; labelo (na estrutura muitíssimo parecido com o da V. Chamissonis Klotzsch, porém com outra coloração, segundo afirma Hicken, no material tipo que examinamos, de âmbito obovalado), na base atenuado, concrescido com os lados da coluna, trombetiforme ampliado, mas com as margens e os lobos do ápice incurvados, crespados, dentados, no ápice com profunda incisão, no vértice da mesma, sôbre o disco, com calo oblongado, no centro do disco com um fascículo de membranas fimbrilhadas, voltadas um pouco para dentro, abaixo do mesmo com espessamento linear que vai até à base, nas proximidades da qual possue pêlos papiliformes erguidos e bastamente dispostos, (asseverou o autor que o centro é inteiramente amarelo-óca e os lados em torno dessa parte central, desde onde começam a se erguer, são descritos como sendo côr de chocolate), comprimento total 4,5 cm. Sôbre 2,5-    3 cm. de larg. acima do meio, onde, em seguida, as margens apresentam uma leve contração lobiforme; coluna na sua face anterior ornada de pêlos bastos, longos, patentes e alvos, de 2,5-3 cm. de alt., com antera como no gênero; frutos relativamente grandes, carnosos, dos lados um tanto comprimidos, na base atenuados em pedicelo,; ápice obtuso, levemente rostrado, margens arredondadas, lados com uma linha destacada que os atravessa da base ao ápice, depois de maduros e sêcos, castanho-denegridos. Segundo o autor da espécie, êstes frutos são artigo de comércio e correm na Argentina como “Baunilha” comum.

Distr. Geogr.: Argentina setentrional, região do Chaco.

Mat. Exam.: Inst. Bot. Darwinion, Argentina:N.° 305 - J. A. Domingues, Pilcomaio, Chaco-Argentino, prov. de Formosa, 25-9-1915, ex Herb, Hicken s/n, (Com a nota: “Typus” e acompanhado de croquis e dados elucidativos), (No Inst. de Bot., n.° 45.726); — n.° 2.040 - T. Rojas, n.° 2.040 e 10.050, Vila S. Pedro, Paraguai, 12-1916. (Inst. de Bot., nº 39.916).

Observ.: Examinando o material citado, não conseguimos afugentar a impressão de que nos achavamos em face da V. Chamissonis Klotzsch, que existe em abundância no litoral meridional do Brasil. Mas é incontestável que êle também revela ainda maior semelhança com a planta que Cogniaux agregou a V. Pompona Schiede como variedade parvifolia e que Velloso em 1827, na “Fl, Fl.” vol. IX, táb. I, estampou sob o nome de Epidendrum Vanilla e ainda Rolfe, em 1896, no “Journ. Linn. Soc, London”. vol. XXXII, p. 467, editou como V. Vellozii Rolfe. Não fossem o colorido estranho do labelo e as dimensões dos segmentos florais tão diferentes, diríamos que nem se poderia tratar de outra espécie.

 

 

 

6.13. Vinilla bicolor Lindl., - “Bot. Reg.” táb. n.° 1.838, Misc. n.° 58; — Idem, - Gen. and Spec. Orchid.” p. 436; — Idem, - “Hook Journ. of Bot.”, vol. II, p. 674; — Ch. Morken, - “Bull. Acad. Belg.”, vol. XVII, part. I, p. 132; — Cogniaux, - “Mart. Fl. Br.” vol. III, IV (1893) p. 149; — F. C. Hoehne, - “Arch. Inst. Biol.” vol. VIII (1937) p. 268.

Caule robusto, roliço; fôlhas subsésseis, oval-oblongadas, aguçadas, estrioladas, nas margens avermelhadas; racimos espiciformes, não descritos; flores sôbre ovário bastante curvado, roliço, ápice despido não caliculado, de 5 cm. de comp.; sépalos depois de sêcos membranáceos, patentes ou até levemente reflexos, levemente côncavos, linear-lanceolados, aguçados, dorso arredondado, de 6 cm. sôbre 7-9 mm. de larg.; pétalos semelhantes aos sépalos, no dorso carinados, de 5,5 cm. sôbre 6-8 mm. áe larg., como os sépalos mais ou menos avermelhados; labelo alvo-amarelado, de 6,5-7 cm. sôbre 4-5 cm. de larg., portanto mais longo que os sépalos, membranáceo, meio livre da coluna, enrolado, afunilado para a base, para cima aberto em limbo de margem ondulada e crenulada, disco, ao centro, com apêndice franjado; coluna na face anterior longa e bastamente pilosa ou barbelada, clinândrio auriculado, êstes aurículos crenulados.

Distr. Geogr.: Guianas e Amazonas,

Mat. Exam.: Museu Paraense:N.“ 1.864 - Jacques Huber, Aruná, beira do Rio, em 28-2-1900.

Observ.: O disco ornado do revestimento viloso-esponjoso, coluna barbelada na sua face anterior, com a coloração avermelhada dos sépalos e pétalos, para contraste com o labelo alvo-amarelado, tornam mui fácil a distinção des espécie entre as afins.

 

 

6.14.Vanilla Chamissonis Klotzsch, - “Bot, Zei schrieft”, vol. IV (1846) p, 5.645; — De Vrise -“De Vanielje in Tuinb. Fl." vol. III, (1856) p. 81, apenas o nome; — Cogniaux, “Mart Fl. Br.”, vol. III, IV (1893) p. 148.

Caule longo, mui robusto, carnoso, subindo em regra livremente entre os arbustos e árvor das matas litorâneas, sinuoso, de 1,5-2 cm. de espessura, nos nós radicífero, um tanto engrossado; fôlhas patente ou mesmo reflexas, duas três vezes mais compridas do que os entrem retas ou mais ou menos recurvadas, de 20- cm. de comp. sôbre 3-4,5 cm. de larg., coriáceas depois de sêcas com as margens recurvadas, para o ápice um tanto acuminadas, na base abrutamente contraídas em pseudo-pecíolo, sôbre mesmo arredondadas, esta contração de 1 cm. t comp., por cima canaliculado; espigas flora multifloras, raque espessa de 8-12 cm. de com; com 8-20 flores; brácteas dísticas, patentes, oval-triangulares, obtusas, coriáceas, margens membranáceas, bastante côncavas; ovário arcado-roliço, levemente estriolado, no ápice não caliculado, de 4-5 cm. de comp.; sépalos patentes mui côncavos, estreito-oblongados, para a base atenuados, no ápice arredondados, ou obtusos de 6 cm. de comp. sôbre 9-12 mm. de larg., tenuemente 9-11 nervados; pétalos quasi planos, alongados-oblongados, um tanto espatulados, ápice obtuso, dorso sob o ápice longamente apiculado, não carinados, de 6-6,5 cm. sôbre 7 mm. de larg.; labelo um pouco mais comprido que os sépalos e pétalos, na base unido com coluna, cuneiforme estreitamente unguiculado disco bastamente piloso, limbo patente, indistintamente trilobado, bordos dos lobos ondulado-denticulados, o lobo mediano oblongo-quadrangular de ápice retuso, meio do disco com costelas espêssas, na parte inferior ligeiramente papilosas, no meio com apêndices membranáceos caliculados, para cima tenuemente plurisulcado de 7-7,5 cm. de comp. na base de 0,5 cm. e extremidade superior 2,5 cm. de largo; coluna: na face anterior bastamente pilosa, de 3-4 c de comp.; frutos não descritos pelo autor.

Distr. Geogr.: Brasil meridional desde o Espírito Santo até ao Rio Grande do Sul, mas a variedade também no Pará. 

Mat. Exam.: Inst. de Bot. (Ex Depart. Bot. do Est.): N.° 24.081 - Dr. Paulino Recch, n.° 58. Amparo, S. Paulo, em 10-1926; — n.° 24.495 - A. Gehrt, Praia Grande, Santos, S, Paulo, 14-11-1929; — n.° 44.817 - J. Ferreira Cunha, Ubatuba, S. Paulo, 23-11-1940; — n.° 44.920 - Comp. Bras. de Frutas, Santos, 22-1-1941; n.° 47.459 - J, Ferreira Cunha, Ubatuba, S. Paulo, 12-11-1942.

Jard. Bot., Rio de Janeiro: N.° 23,671 - Cult. no Jardim Bot., colhida em 5-1930; -n.° 33.360 - Ibidem, 10-11-1936.

Observ:. Esta uma das espécies dêste gênero mais comuns nos terrenos e matas junto ao mar, onde aparece em grupos muito grandes algumas vezes. Também no interior a temos encontrado em grandes massas nas matas ribeirinhas. Os caules são sempre muito carnosos e sobem muitas vezes por entre os arbustos e depois cáem e ficam amontoados no chão. Ela poderá ser confundida com a V. planifolia Andr., mas tem fôlhas menos largas e não marginadas de faixa mais clara, como as têm também as da V. pompona Schiede.

 

 

Var. brevifolia Cogn., - “Mart. Fl. Br.”, vol. III, IV (1893) p. 149.

Sin.:  Epidendrum vanilla Vell,, - “Fl. Fl.” Ic. vol. IX (1827) táb. 1 texto, L. Netto, nos “Arch. do Mus. Nac., Rio de Janeiro, vol. V, p. 356 (Não se confunda com a homônima de Linneu).

?Vanilla Vellozii Rolfe, - “Journ. Linn. Soc., London”, Bot. vol. XXXII (1906) p. 467. (Vide Obs. sob. V. argentina Hicken).

Pelo porte e aspecto semelhante ao tipo da espécie, mas fôlhas de âmbito oblongado, sésseis e com a base semi-amplexicaule, grossas, depois de sêcas coriáceas, rijas, plurinervadas, ápice abruptamente aguçado em curtíssima ponta obtusa, ao lodo de 8-12 cm. de comp. e 3-4 cm. de larg. mediana, na base sempre mais largas; racimos provavelmente como na espécie típica, mas no material examinado flores soltas sem a raque e os caules; estas flores dadas como verde-amareladas, com labelo mais claro, ápice crespado, na base interna crême e metade superior alvacenta com uma faixa mediana elevada e amarelada no lado exterior destacada, com núcleo longitudinal e mancha subapical, externamente verde, aroma fortissimo; ovário de 3 cm. de comp.; sépalos linear-espatulares, obtusos, acanoados na extremidade superior, ápice obtuso, áe 6 cm. de comp. e 1,5 cm. de larg.; pétalos oblongados até espatular-obovalados, obtusos, na face externa com a nervura mediana destacada e terminada em aresta sob o ápice, comprimento dos sépalos e largura 1,6 cm.; labelo e coluna como no V. Chamissonis Klotzsch, e colorido conforme referido supra.

Distr. Geogr.: Rio de Janeiro.

Mat. Exam.: Jard. Bot., Rio de Janeiro: N.° 19.249 - A. Ducke, cultivada no Jard. Botânico e dada como introduzida do Amazonas por Barbosa Rodrigues, florífera em 10-1925. (A procedencia merece ser posta em dúvida, porquanto o tipo da espécie aparece no sul do Brasil).

Observ.: A separação desta planta da V. Chamissonis Klotzsch., conforme feita por Rolfe, não se justifica, porque pelo material que vimos as diferenças são relativamente pequenas e residem mais especialmente no tamanho e formato das ditas fôlhas.

 

 

 

Var. longifolia Hoehne.

Distinta do tipo da espécie por apresentar fôlhas de 20 cm. de comp. por 3,5 cm. de larg. mediana, mais atenuadas para a extremidade e flores com sépalos e pétalos de 7 em. de comp. por 1,5 cm. de larg. no têrço superior, labelo mais inciso na extremidade, no restante como no tipo.

Distr. Geogr.: S. Paulo, interior.

Mat. Exam.: Inst.  Bot. (Ex Depart. Bot. Est.):N.° 24.077 - Padre A. Russel,  n.° 228 na C. G. G. de S. Paulo, n.° 3.840, 20-12-1897.

Observ.: Parece constituir a transição para a V. Gardneri Rolfe, onde as fôlhas são menos rijas e mais curtas e o labelo não inciso, mas aguçado.

 

 

 

6.15. Vanilla planifolia Andr., - “Bot. Reposit.” táb. VIII; — R. Br.; “Ait. Hort. Kew.” ed. 2, vol. V, p. 220; — Loddiges, - “Bot. Cab.” táb. 733; — Bauer, - “III. Orchid. Pl. Genera”, táb. 10, 11; — Blume, - “Rumphia”, vol. I, p. 197, táb. 68, fig. 2; — Lindley, - “Gen. and Spec. Orchid.” p. 435; — Ch. Morren, - “Bull. Acad. Belg.” vol. IV, (1837) p. 225; vol. XVII, part. I (1850) p. 108 e 129; “Ann. Soc. Royale d’Hort. Paris”, vol. XX, (1837) p. 331; — “Compt. Rendus Acad. Fr.” 1838, p. 489; “Ann. of Nat. Histor.” vol. III, (1839) p. 1; — “ Ati d. Tereza Reun. d. Scienz. Ital.” 1841, p. 491, “Ann. Soc. d’Agric. et Bot. de Gand,” vol. V, (1849) p. 13, táb. 235; — HAYNE. - “Arzneigew.” vol. XIV, táb. 22; — Spach, - “Vég. Phan.” vol. XII, p. 190; — Visiani, - “Memória” táb. I; -       G. Gardner, - “Hook London Journ. of Bot.” vol. I (1842) p. 542; - “Trav. in the Interior of Brasil.” p. 226 — Beer, - “Prakt. Stud. Orchid.” p. 317 (V. panifolia); “Beitr. Morph. and. Biol. Orchid.” p. 31, táb. III, fig. 40 et táb. XII, fig. 17-23; — De Vriese, - “De Vanielje”, p. 22, in “Tuinb. Fl.”, vol. III, p. 81, táb. 3 et 4 (1856); “Belg. Hort.” vol. VI (1856) p. 315 e 365; — C. Lemaire, - “111. Hort.” vol. II, Miscell. (1855) p. 45; — Duchartre, - “Man. Gen. des .PI.” vol. IV, p. 534; — Berg. et Sch. - Offic. Gewaechse” sob táb. XXIII, a-b; — Griseb., - “Fl. Brit. W. - Ind. Isl.” p. 638; — Delteil, - “Estud. sur le Vanille” 1874; — Kqhler, - “Mediz, Pflanzen”; — Bentham and Trim. - “Med. Pl.” vol. III, táb. 272; — Hemsl,, - p. 294; — Centr. Americana, Bot.” vol. III, p. 294; — Fltjek. and Hanbury, - “Pharmacogr.” edit. 2.“ p. 657; — Pfitzer, - “Engl. & Prantl, Nat. Pflanz.” vol. II, 6 (1889) p. 110, fig. 108; — L. Planch., - “Ann. Soc. Hortic. Hérault”, 1888; — “Gardeners Chron.” ser. 3.°, vol. III (1888) p. 562; — Joret, - “Natur.” vol. XXXVI (1888) p. 364; — Hook fil., - “Bot. Mag.” táb. 7.167; — Massee, - “Kew Bull." 1892, p. 111, com ilustração; De Bois., - “Orchid.” p. 221-234, fig. 101-106; — Cogniaux, -     “Mart. Fl. Br.”, vol. III, IV (1893) p. 145; — Schlechter - “Die Orchideen” p. 94, e “Rep. Spec. Nov. Reg. Veg.” de Fedde, Beiheft, para vol. VII, p. 210, e várias outras obras; — Stein, - “Orchideen- buch” p. 593, fig. 180; — F. C. Hoehne, - “Plant. e Subst. Veg. Tox, e Med.” (1939) p. 99, sob “Vanilina”; — Gordon W. Dillon -“Am. Oreh. Society Bulletin”, vol. 10 (1942) p. 339 com clichê; — muitos outros autores ocuparam-se desta espécie, mas é difícil assegurar se sempre foi a mesma.

SIN,:  Lobus oblongos aromaticus, Clusius,  “Exotic. Libr.” (1605) p. 72; — Sloan, - “Pl. Jam.” p. 70 e in. “Nat. Hist. Jam.” vol. I, p. 180.

Araco aromatico Herandez, - “Thes. Rev. Med. Nov. Hisp.” (1651) p, 38, com ilustração.

Lobus aromaticus etc. C. Bauhin, - “Pinax”, (1671) p. 404.

Volubilis siliquosa Mexicana etc. - “Catesb. Carol.” vol. III (1748) p. 7, táb. 7; — Blackw., - “Collect. Stirp.” vol. VI, táb. 590. Vanilla Mexicana Miller, - “Dict.” edit. n.° 1, traduct. franç., vol. VII (1785 part) p. 505.

V. aromatica (part.) Willd., - “Spec. I vol. IV (1805) p. 121; — Kunth, - “Syn, Aequin.” vol. I, pá. 339; — Desvatjx, - “Ann Sc. Nat.” sér. 3, vol. VI (1846) p. 117; Du Buyss., - “L’Orchidoph.” p. 512.

Myrobroma fragrans Salisb., - “Parad. London” (1806) táb. 82.

Vanilla viridiflora Blume, - “Bijdr.” (1825) p. 422.

V. sativa Schiede, - “Linnaea”, vol. (1829) p, 573 e VI, p. 59; — Lindley, - “Gen. and. Spec. Oreh.” p. 437; — SPACH, - “V Phanér.” vol. XII, p. 190; — Ch. Morrei  “Bull. Acad. Belg.” vol. XVII, part. I, 119; — Hemsl., - “Biolog. Centr. Amer. Bot.” vol. III, p. 294.

V. sylvestris Schiede, - “Linnaea”, vol. (1829) p. 573; — idem, - vol. VI, p. 59; Lindley, - “Gen. and Spec. Oreh.” p. 437; Spach, - “Vég. Phanér.” vol. XII, p.191 Ch. Morre', - Bull. Acad. Belg.”, part. pág. 118; — Hemsl., - “Biolog. Centr And Bot. vol. III, p. 294.

V. Majayensis BLANCO (?), - “Fl. Filip edit. 2. (1845) p. 593.

Vanilla Duckei J. Hub., - “Bol. Mus. Goeldi” Pará, vol. V (1907-08) p. 327. (De acordo com o material original examinado).

V. carinata Rolfe, - “Journ. Linn. Soc. London” Bot. vol. XXXII (1896) p. 446; Cogniaux, - “Mart. Fl. Br.” vol. III, (1906) p. 531.

Caule robusto, roliço, escandente, agarrado nos troncos e ramos das árvores, de 1,5-2 cm. espessura, verde-escuro e pequenas máculas bastas, alvas e arredondadas (como manchas mosaicô); fôlhas crasso-carnosas, com peciolo curto, limbo plano, oblongo-lanceolado, acuminado, na base acima da parte pecioliforme redondado, multinervado, patente até reflexo verde e com estreita faixa alvacenta nas margens, depois de sêco coriáceo, de 12-20 cm. comp. e 3,5-6 cm. de larg., no pseudo-pecíolo 1- 2,5 cm. de comp., canaliculado na face de ciracimo floral axilar, com raque curta e espêssa sempre um tanto arcada, anguloso-plurissulcada com 8-19 flores e 4-7 cm. de comp. por 4-9 n de espessura; brácteas carnosas, triangular-acuminadas, patentes até reflexas, decrescentes para o ápice e assim de 1,5-0,5 cm. de comp. por 3-7 mm. de larg.; flores verde-amareladas ou amarelo-oliváceas; ovário patente, de 4-7 cm. de comp. e 3-5 mm. de grossura; sépalos oblongo- lanceolados, atenuados para a base e no ápice obtusos, de 5-6,5 cm. de comp. e 10-13 mm. de larg. máxima (às vezes menores), planos ou algo acanoados; pétalos no dorso carinados e nervura central destacada e espessada para a extremidade, que é levemente destacada, pouco diferentes dos sépalos, mas um pouco mais estreitos e levemente mais curtos; labelo na metade inferior ligado aos bordos ventrais da coluna, afunilado, dali para cima mais aberto e levemente trilobado, os lobos laterais arrendondados, eretos e o mediano quasi retangular- retuso, crenulado, ao todo de 4-5 cm. de comp. e quando aberto de 3-4 cm. de larg. máxima, no disco com apêndices caliculiformes, crenulados, inclinados para dentro, amarelo-alaranjado; coluna quasi reta, de 3-4 cm. de comp., na face anterior bastamente pilosa; frutos retos ou levemente arcados, aromáticos, de 12-22 cm. de comp. e 1-1,5 cm. de espessura, quasi cilíndricos; sementes negro-brilhantes, ovoide-globulares, de. 0,25 mm. de comp. e 0,2 mm. de espessura mediana.

Distr. Geogr.: Desde a América Central e até ao Brasil Meridional, mas talvez também dispersada pela cultura e asselvajada.

Mat. Exam.: Inst.  Bot.   (Ex    Depart. Bot. Est.): N.° 25.511 - C. Spannagel, n,° 258, Petrópolis ou baixada de Macaé, apenas duas flores soltas e meio em botão; — n.° 44.623 - J. F. Cunha, Est. Exp. de Uba- tuba, Herb. do Inst. Agr., n.° 5.760, em 25-10-1940; n.° 44.919 - Comp, Bras. de Frutas, Santos, 22-1-1941; n.° 46.151 - J, F. Cunha, Est. Exp. de Ubatuba, do Inst. Agr, do Estado, em 17-12-1941.

Jard. Bot., Rio de Janeiro: N.° 14.565 - J. G. Kuhlmann, Mundo Novo, Distr. Federal, 15-2-922; — n,° 18.705 - A. Ducke, do Herb. Mus. Goeldi, do. Pará, n.° 3.079 e 3.489, em 16-12- 1903 e 5-5-1903, (Original ou cotipo da V. Duckei J. Hub.); — n.° 23.662 - A. Ducke, Sumaré, Distr. Federal, 5-4-1929; — n.° 46.204 - H. Bittencourt, Raiz da Serra de Petrópolis, 23-10-1941,

Mus. Nac., Rio de Janeiro: N.° 24.971 - A. Pierri, cult, no Horto Botânico do Museu, 25-10-1928.

Inst. Bot. Darwinion, Argentina:Teodoro Rojas, n.° 2.040 e 10.050, Vila San Pedro, Paraguai, 12-1916 (Cult.).

Observ.: O material que examinamos do Mus. Goeldi, do Pará, como cotipo da V. Duckei J. Hub., é apenas um pouco menor em seus detalhes florais, mas no demais perfeitamente igual ao restante. O labelo não foi, todavia, descrito como deveria ter sido, e por isto permaneceu a espécie até presente momento como autônoma.

É comum a suposição de que esta seja a melhor ou única espécie fornecedora de vagens comerciais ricas de vanilina; mas não é verdade isto. Outras há que a equivalem ou levam vantagens. Assim vimos a V. Pompona Schiede com vagens bem maiores e muito aromáticas depois de preparadas. Hicken, ao descrever a sua V. argentina, assegurou também que ela é a mais comerciável na Argentina e no Paraguai. Do Perú preconizam as vantagens da V.odorata Presl. e no Pará e Amazonas exploram a V. guianensis Splitg. e a V. Sprucei Rolfe entre outras alí nativas.

No trabalho de Gordon W. Dillon, que referimos mais atrás, é apresentado o processo da industrialização das vagens desta espécie. Diz o citado autor que, após o processo de curtimento e secagem, as vagens geralmente ficam reduzidas a uma sexta parte do seu pêso natural e que em tais condições representam mais uma massa, que recebe o nome de “Balsamo de Vanila”.

Nesta espécie os frutos são mais longos do que em V. Chamissonis Klotzsch, e muito melhores do que eles. As fôlhas, com ponta um tanto abruptamente acuminada, mais largas e ornadas com faixa marginal mais clara, distinguem-na da mesma, mas aproximam-na muito da V. Pompona Schiede, onde as flores são muito maiores e o labelo diferente, além das fôlhas serem também maiores, e maiores ainda os frutos. Talvez a V. Pompona Schiede e V. argentina Hicken e V. trigonocarpa Hoehne, sejam as três espécies em que os frutos são os maiores encontradiços no gênero.

 

 

 

6.16. Vanilla Gardneri Rolfe, - “Kew Bull.” (1895) p. 177 e no “Journ. Linn. Soc. London”, Bot. vol. XXXII (1896) p. 466; — Cogniaux, - “Mart. Fl. Br.”, vol. III, VI (1906) p. 531.

Sin.:  Vanilla planifolia Gardn., - “Hook Journ. of Bot.” vol. I (1842) p. 542 e “Travels in Brasil”, ed. 2.“, p. 225 (Não se con funda com a homônima de Andrew).

Escandente reptante pelos troncos de árvores a que se afixa com raizes adventícias extra-axilares curtas e rijas; caules relativamente finos, com entrenós de 8-10 cm. de comp. e 2,5-3,5 mm. de espessura, nós levemente caloso,?; fôlhas sôbre pseudo-pecíolo canaliculado, de 1,5-2 cm. de comprtorcido e preênsil e limbo linear- oblongado, terminado em abrupta ponta espessa, com bordos recurvados, ao todo de 17-20 cm. de comp. e 3-3,5 cm. de larg. mediana, para a base levemente atenuado no citado pseudo-pecíolo, ápice obtusado e não raro espessado e recurvado; racimos axilares, de 3-7 cm. de comp., com 6-12 flores; brácteas patentes, oval-oblongadas, obtusas, de 5-7 mm. de comp. e 2-3 mm. de larg.; ovário séssil, para o extremidade espessado, reto e roliço, de 5-6 cm. de comp.; flores patentes mas não muito descerradas; sépalos linear-lanceolados, obtusados, de 7 cm. de comp. e 7-8 mm. de larg., os laterais levemente aconchavados e um pouco falçados; pétalos do comprimento dos sépalos, na base linear-atenuados e com a nervura central externamente destacada e sob o ápice livre em aresta, ao todo de 10-12 mm. de larg. no têrço superior; labelo inteiro, no têrço inferior com os bordos ligados aos ditos da face ventral da coluna e depois trombetiformemente ampliado em limbo obovalado que termina em ponta sub-aguçada, bordos crespados e com um campo de 3 linhas verruculosas entre outras linhas menos destacadas, no disco com um fascículo de 3-5 membranas caliculiformes laciniadas, ao todo de 6,5 cm. de comp. e distendido de 3,5 cm,. de larg. máxima, mais ou menos rijo na parte terminal, no disco junto à base com um campo oblongado pubescente; coluna de 3,5 cm. de comp., na face pilosa, até acima do meio ligado com os bordos da coluna; frutos ignorados.

Distr. Geogr.: Pernambuco, Pará, Goiaz e Rio de Janeiro.

Mat. Exam.: Jard.  Bot.,  Rio de Janeiro: N.° 39.929 - Marcgraf, n.° 3.822, Utiriga, Belém do Pará, em 13-12-1938.

Obesrv.: Esta espécie assemelha-se, pelo porte e fôlhas, à V. Chamissonis Klotzsch., mas é distinguida pela estrutura do labelo que é aguçado no ápice e sob a extremidade ornada de uma série de linhas espessadas e verruculosas, além de ter o disco abaixo do meio pubescente.

 

 

 

6.17. Vanilla palmarum Lindl., - “Gen. and Spec. Orch.” (1840) p. 436 e no “Gardn. Chron.” (1842) p. 639, “Bot. Regist.” (1842), Misc. n.° 75 (Exclua-se a sin. de Velloso) ; Splitg, -  “Ann, Scient. Nat.”, ser. 2.’, vol. II, p. 283; — Ch. Morren, - “Bull. Acad. Belg.” vol. XVII part. I (1850) p. 132; — Reichb f., - “Orch. Splitg. Surin.”, no Nederl Kruidk. Arch.”, vol. IV (1859) p. 321 Wawra, - “Bot. Reis. Prinz Maximilian. p. 148; — Cogniaux, - “Mart. Fl. Br.”, III, IV (1893) p. 152.

Sin.:  Epidendrum palmarum Salzm.,“Herb. ex Lindl., no local supra mencionado.

Vanilla lutea Wright, - sensu Griseb., “ Pl. Carib.” p. 267 (não de Reichb. f.).

Epífita que vegeta nas axilas das bainhas das frondes de várias espécies de palmeiras pendendo de grande altura os ramos sinuosos de 3-5 mm. de espessura, nos quais numerosas fôlhas delimitam os entrenós de 5-10 cm. compr.; fôlhas subsésseis, em geral largamente ovaladas e patentes (nas variedades menores e mais estreitas), na base arredondadas ou; cordadas e ápice aguçado, pouco consistentes, todavia mais ou menos coriaceas, quasi ample-xicaules, de 5-12 cm. de comp. e 3-7 cm. larg.; racimos axilares; às vezes com brácteas foliaceas e então como râmulos, raque de 3-8 de comp. e 2-10 flores; brácteas, conforme dito, algumas vezes foliáceas, mas em regra ovaladas, obtusas, rijas, de 4-14 mm. de comp. 3-10 mm. de larg. mediana; ovário séssil, de 2 cm. de comp., no ápice evidentemente caliculado; flores verde-amareladas com labelo quasi branco e no disco amarelado; sépalos linear-oblongados, obtusos, ereto-patentes, para a base pouco atenuados, depois de sêcos membranáceos de 5-6 cm. de comp. por 10 mm. de larg. mediana; pétalos do comprimento dos sépalos, mais atenuados para a base e assim mais espatula obtusos, de 12 mm. de larg. no têrço super com a nervura mediana destacada no lado dorsal e abaixo do ápice mucronulada; labelo sua parte inferior ligado com os bordos da fase da coluna, de âmbito ligeiramente trilobado afunilado, distendido de 5,5 cm. de comp. 3 cm. de larg., margens superiores ondulada crespas, levemente crenuladas, ápice obtuso levemente inciso, no disco com 6 linhas espesadas e levemente piloso-glanduloso, no resto glabro; coluna longa, na face pilosa, dorso a dondado, de 3-3,5 cm. de comp.; frutos de 4,5 de comp. e maduros de mais de 1 cm. de grossura mediana, sob o ápice contraídos, triquetros e evidentemente trialados; sementes brilhan negras, de 0,25X0,02 mm. de diâmetro.

Distr. Geogr.: Brasil oriental, central  e setentrional.

Mat. Exam.: Inst.  Bot. (Ex Depart. Bot. Est) N.° 29.927 - Padre Camillo Torkend, n.° 166, exemplar êsteril e raquítico, Baia, 10-11-1932.

 

 

 

Var. grandifolia Cogn., - “Mart. Fl. Br.”, vol. III, IV (1893) p. 154, Caules mais robustos; fôlhas de até 13 cm. de comp. e 4,5-5 cm. de larg. mediana, de âmbito oblongo-triangular.

 

Var. angustifolia Hoehne, - (n. var.).

Sin.:  Vanilla palmarum Hoehne, - “Com. Lin. Tel. Estr. M. Gr. Amazonas:”, Bot. parte I (1910) p. 29, táb. 7.

Caules mais delgados; fôlhas muito mais estreitas, oblongadas, sésseis, de 8-12 cm. de comp. por 2-3 cm. de larg. mediana, ápice levemente aguçadas; flores de tamanho igual ao das do tipo da espécie.

Distr. Geogr.:Mato-Grosso.

Mat. Exam.: C. L. Tel. Estr. M. Gr. Amazonas: S/N. - F. C. Hoehne, Tapirapoan, M. Grosso, em 3-1909. (Apenas registada em desenho feito pelo material que mais tardo se perdeu em viagem).

Observ.:Como se poderá verificar pelas respectivas ilustrações que aqui anexamos, esta planta poderá talvez ser considerada uma das espécies mais variáveis, desde que não se verifique, mais tarde, que se trata de mais de uma. As suas fôlhas, de largo-ovaladais podem ser oblongadas e muito mais estreitas.

É possível que na variedade angustifolia Hoehne esteja representada a própria V. Lindmaniana Khaenzl, de que não conseguimos ver material, porque também aquele que nos serviu para basear essa variedade foi perdido e como não fizemos os detalhes da flor, torna-se impossível agora ajuizar a respeito dos mesmos.

O tipo da espécie é muito caraterístico e um daqueles que quasi sempre fendem os frutos quando eles chegam ao amadurecimento completo. Abertos naturalmente os passarinhos incumbem-se da dispersão das sementes ao comerem a polpa em que se acham encarnadas.

 

 

 

6.18. Vanilla Lindmaniana Kraenzl., - “Kungl. Sev. Vet. Akadem. Handling.” vol. 46, n.° 10 (1911) p. 17, táb. 4, fig.1.

Raizes curtas, achatadas; caules alto-escandentes, com as pontas pendentes, bastante delgados, de apenas 4 mm. de espessura; fôlhas brilhantes, com pseudo-pecíolo curto, oval-oblongadas, acuminadas, no ápice obtusadas, pseudo-pecíolo de 5 mm., limbo de até 16 cm. sôbre 4-5,5 cm. de larg., espesso; racimos florais mais curtos que as fôlhas raro do comprimento delas; raque achatada, um tanto fracti-sinuosa; brácteas dísticas, ás vezes uma ou outra foliácea, oblongadas, aguçadas, no demais coriáceas, obtusas, de 6-10 mm., patentes; pedicelo não observado pelo autor, mas por certo mais comprido que as brácteas; sépalos oblongados obtusos de 4,5-5 cm. e 1,3 cm. de larg.; pétalos do mesmo comp., duas vezes mais largos, ou seja de 2 cm. de larg., obtusos; labelo afunilado, da base ao meio inteiro, de lá para cima com as margens crenuladas, âmbito largo-oblongado, quasi tão largo quanto longo, na extremidade retuso, emarginado ou biolobado, de 4 cm. de comp. e 3,5 cm. de larg., com sete linhas papilosas no disco; coluna atingindo o meio do labelo, na frente pilosa; fruto não conhecido do autor da espécie; coloração da flor uniformemente verde-amarelada.

Distr. Geogr.: Mato Grosso.

Mat. Cit.: Lindman, Exp. Regnelliana I, n.° 2.481.

Observ.: Diz o autor que a planta cabe na afinidade da V. Gardneri Rolfe, da qual entretanto se separa pelas flores menores. Muito interessante lhe pareceu ainda o fato de que uma ou duas das brácteas estivessem desenvolvidas, com aspecto de pequenas fôlhas, e a pouca espessura do caule em relação ao tamanho das fôlhas, que, depois de sêcas, se apresentam luzidias.

 

 

 

6.19. Vanilla Sprucei Rolfe, - “Journ. Linn. Soc. London, Bot,” vol. XXXII (1896) pág. 461;— Cogniaux, - “Mart. Fl. Br.” vol. III, VI1906) p. 530.

Caule delgado, sinuoso; fôlhas curto-pecioladas, medíocres, largo-lanceoladas ou oblongo- lanceoladas, ligeiramente acuminadas, mas ponta menos aguçada, de 10-12 cm. de comp. Sôbre 2,5-3,5 cm. de larg., base atenuada em pseudo-pecíolo de 1-1,2 cm.; racimos axilares, curtos, com poucas flores, de apenas 1,8-2 cm. de comp.; brácteas curtas, oblongadas, sub-obtusas, de 4-8 mm. de comp.; flores alvo-esverdeadas, grandes; sépalos e pétalos linear-lanceolados, aguçados, para a base atenuados, de 5,5-6,5 cm. de comp. e 5-6 mm. de larg. mediana; labelo do comprimento dos sépalos laterais, na parte inferior longamente unido com os bordos da face ventral da coluna, afunilado assim em longo e estreito canal, no ápice ampliado, no meio cristado, crista oblongada, formada de folhelhos denticulados, ao todo de 5,5 cm. de comp.; coluna de mais ou menos 4,5 cm., claviforme, alongada, (na face ventral pilosa); frutos ignorados pelo autor.

Distr. Geogr.: Amazonas, margens do Rio Uaupés, colhida por Ricardo  Spruce, sob o n.° 2.727.

Obesrv.:A suposição da coluna ter a face ventral pilosa alicerça-se no fato de que Cogniaux a distribuiu entre as que assim se caraterizam.

 

6.20. Vanilla Dietschiana Edwll, - “Revist. do Centro de Sc. e Letr. de Campinas”. Julho de 1903, n.° 4, extr. p. 1, táb. 2; — Cogn., - “Mart. Fl. Br.” vol. III, VI (1906) p. 582, táb. CVIII.

Caule ereto e curto; com raizes numerosas, um tanto claviformemente espessadas, com ponta obtusa, de mais ou menos 4-9 cm. de comp., na base de 1-1,5 mm. e na extremidade de 4-6 mm. de diâmetro transversal; caule, conforme dito, ereto, bastante sinuoso, robusto e ramificado, roliço, nos nós um tanto espessado, de 35-40 cm. de alt. e 4-5 mm. de espessura; ramos eretos, simples ou novamente ramificados (o que faz supor que se trata de uma anomalia); fôlhas sésseis, pequenas, carnosas, triânglar-ovaladas, aguçadas ou levemente acuminadas, base amplexicaule, por cima evidentemente reticulado-plurinervadas e para a extremidade do caule decrescentes em brácteas, um tanto côncavas, as maiores, do meio do caule, de 3 cm. Sôbre 1,5 cm. de larg. e as brácteas de 1-1,5 cm. sôbre 5-8 mm. de larg. mediana; flores pequenas, quasi sésseis, com segmentos patentes, membranáceos, um tanto tombadas; sépalos de igual comprimento, oblongo-lanceolados, subspatulares, levemente acuminados, no dorso evidentemente carinados, bastante côncavos, 7-9-nervados, de 25-26 mm. de comp. e 7 mm. de larg. mediana, os laterais um tanto oblíquos; pétalos ligular- lanceolados, acuminados, nas margens superiores ondulados, comprimento do sépalo dorsal, algo falcados, para a base atenuados, de 26 mm- sôbre 5 mm. de larg.; labelo mais curto que os sépalos laterais, inteiro, largo, ovalado, afunilado, na base cuculado, ápice um tanto retuso, levemente apiculado, margens bastante onduladas do meio para cima, disco glabro, da base até perto do ápice atravessado por muitas lâmelas que confluem na extremidade super, alvo e no disco amarelado, de 24-25 mm. Sobre 20     mm. de larg. no têrço superior; coluna curta delgada, um pouco clavada; base genicula face glaberrima, um pouco incurvada, obtusamente triquetra, de 18 mm. de comp.; frutos eretos, retos ou um tanto curvados, cilíndricos levemente bisulcados, de 6 cm. de comp.; sementes obovoides, brilhantes, negras, levemente verruculosas, de 0,32 mm. de diâmetro.

Distr. Geog.: S. Paulo, Serra do Mar. Mat. Exam.: Inst. de Bot. (Ex Depart. Bot. do Est N.° 24.079 – Arthur Dietsch, Herb. Com. Geog. Geol. de S. Paulo, n.° 6.070, Serra do Mar, 1903 (sem mais indicações).

Observ.:O material que temos é o original, mas nôs impressiona como anomalia da V. parvifolia Barb. Rdr.; todavia as flores são descritas bem diferentes e não podem ser mais reconfirmadas no exemplar que temos.

Na estampa, exposta na “Mart. Fl. Br.” ovário é representado com quinas, mas na diagnose não foi referido. Mas aí os frutos foram dados como roliços; no material sêco êstes detalhes são difíceis de observar.

 

 

 

6.21. Vanilla Eggersi Rolfe, - “Journ. Linn. Soc.”, vol. XXXII (1896) p. 472.

Sin.:  Vanilla aphylla Eggers, - Kjoeb Vidensk. Meddel.” (1889) p. 21.

Caules sinuosos, radicíferos, escandentes, sinuosos, de 3-5 mm. de grossura, com entrenós de mais ou menos 10 cm., enroscando, em confusão, largas extensões de ramos e troncos de árvores, fixando-se ainda por meio das raizes adventícias que emergem de quasi todos os nós; fôlhas atrofiadas, reduzidas a pequenas escamas não maiores do que as brácteas, abraçadas ao caule até ao meio ou um têrço da sua circunferência, raramente de mais do que 5 mm. de comp. e 4 mm. de larg., glabras e carnosas; flores em racimos curtos, paucifloros, nas axilas de brácteas não diferentes das fôlhas referidas ou ainda solitárias nas axilas destas última. (mas no material estudado, já frutificado, inexistentes), a julgar pelos frutos em desenvolvimento, sesseis, isto é, sem pedicelo além da base do ovário; frutos (imaturos) linear-oblongados, com as extremidades atenuadas e encimadas por calículo irregularmente dentado, ao todo de 5-6 cm. de comp. e no meio de 5-6 mm. de espessura transversal. O restante ignorado.

Distr. Geogr.: Indias Ocidentais e Mato Grosso.

Mat. Exam.: C. L. T. Estr. de M. Gr. ao Amazonas: N.° 5.324 - F. C. Hoehne, Mato Grosso, em 1911. (No Mus. Nac., Rio de Janeiro, n.° 2, 514).

Observ.: O material pelo qual foi feita a prancha desta espécie ficou no herbário do Museu Nacional, sem classificação, quando tratamos das Orchidaceas de Mato Grosso, por achar-se sem flores. Ao fazermos novo estudo agora, constatamos, entretanto, que não se pode tratar de outra espécie senão da V. Eggersi  Rolfe, que em 1889 havia, primeiramente, sido descrita sob o nome V. aphylla Eggers, que caiu por existirem já outras assim denominadas.

Devemos declarar, todavia, que não conseguimos ver material tipo da espécie e que tão pouco tivemos sob os olhos aquela descrição citada. Não duvidamos porém de que realmente deve ser a V. Eggersi Rolfe.

É lamentavel que John B. Seeds (American Orchid Soc. Bulletin” vol. 3, n.° 3 (1934) p. 46) não tivesse juntado comentário nem descrição ou ainda escala à estampa das flores que reproduzimos na prancha supra citada.

 

 

 

6.22. Vanilla berloniensis Bert., - “Anal. Cient. del Parag.” sér. I, vol. VIII (1910) pág. 10.

Caules roliços, pouco ramosos, de 4 a 5 metros de comp. e 6 mm. de espessura, escandentes, com raizes adventícias curtas e outras subterrâneas mais longas e de 15-25 mm. de grossura, portanto tuberiformemente espessadas; fôlhas grandes, planas, membranáceas depois de sêcas, subsésseis, largo-lanceoladas, muito mais compridas que os entrenós, isto é, de 16-20 cm. sôbre 5-7 cm. de larg., reflexas, verde-escuras, com as nervuras bem destacadas; flores solitárias, medíocres, dispostas em curtos râmulos axilares, sempre de 5-6 em cada um; ovário verde-brilhante, de 4-4,5 cm. sôbre 4 mm. de espessura; sépalos firmes, membranáceos, depois de sêcos, em estado vivo verdes e marginados de amarelo, lineares, acuminados de longe, extremidade recurvada, contorcida, de 3-4,5 cm. de comp., no têrço inferior de 7-9 mm. de larg., margens irregularmente onduladas; pétalos semelhantes aos sépalos; labelo alvo com máculas verdes nas lamelas do disco e base amarela, mais curto do que os sépalos, indistintamente trilobado, lobos laterais arredondados, o mediano triângular-acuminado, um tanto recurvado; coluna de 2-2,5 cm. de comp., alva, com a face plana e glabra; frutos cilíndricos, quasi retos, de 6-10 cm. de comp. e 1 cm. de diâmetro transversal, coroados por um calículo.

Distr. Geogr.: Fuerto Bertoni, margens do Rio Paraguai. No Paraguai.

Mat. Cit.: Dr. Bertoni, n.° 6.039, da localidade referida.

Observ.: Esta espécie é, incontestávelmente,também da afinidade da V. parvifolia Bare. Rdr., da qual, como das afins, é distinguida apenas por diferenças insignificantes de dimensões. As raizes subterrâneas que o autor desta espécie refere como muito grossas, como o fez para a V. perexilis, naturalmente devem ser semelhantes as de espécies afins que, infelizmente, não vêm mencionadas nas diagnoses.

 

6.23. Vanilla caiyculata Schltr., - “Orchidenfl. Der Suedam. Kordil.” Colômbia - “Fedde Repert. Sp. Nov. Regni Veget.”, Beihefte, vol. VII (1920), p. 42.

Terrestre escandente, caule carnoso, ramos roliços, laxamente foliosos, de 6 mm. de diâmetro; fôlhas patentes até reflexas, sésseis, estreitamente oblongadas ou oblongo-lanceolaáas, aguçadas, de 10 cm. e abaixo do meio de 2,3-2,7 cm. de larg.; inflorescências axilares, em sua extremidade com muitas flores sésseis, raque carnosa, sub-ereta; brácteas patentes, ovais, obtusas, 5-6 vezes mais curtas que o ovário, carnosas; flores como na V. Chamissonis Klotzsch, mas menores; sépalos liguliformes, obtusos, do meio para baixo atenuados, de 5 cm. de comp., glabros, os laterais um tanto obliquados; pétalos mui parecidos com os sépalos laterais e do mesmo comprimento e largura, embora de textura um tanto mais delgados; labelo com unguículo linear de 18 mm. de comp., completamente unido às margens da coluna, para cima, livre, por dentro papiloso-pubérulo, lâmina eliptico-romboidal, na frente recortada, margens na metade superior onduladas e na inferior, conforme dito, soldadas às da coluna, disco abaixo do meio ornado com bastas escamas flabeladas cuneiformes, dentadas, com 3-5 nervuras espessadas no disco, despido, ao todo de 5 cm. de comp., abaixo do meio de 2,5 cm. de larg.; coluna delgada, de margens unidas ao labelo, de 3,5 cm. de comp.; ovário carnoso, cilíndrico, encimado por um calículo lobulado-pateliforme, glabro, de 3,5 cm. de comp.

Distr. Geogr.: Cauca, Colômbia.

Mat. Cit.: de M. Madero, s/ind.

Observ.: Segundo o autor, muito parecida e próxima da V. Chamissonis Klotzsch., mas distinguida pelas fôlhas e flores menores e pelo citado calículo sôbre o ovário, que recorda de Epistephium.

Esta espécie é referida aqui unicamente por ser próxima à V. palmarum Lindl., no que concerne ao calículo do ovário.

 

6.24. Vanilla trigonocarpa Hoehne, - “Arq. de Bot. Est. S, Paulo”, nova série, vol. I (fase. 6 —1943) p. 126, táb. 139.

Escandente, caule com raizes adventícias extra-axilares, de espessura mediana, em estado seco sulculado, entrenós de 8-10 cm. de comp., assim de 4-5 mm: de espessura, nos nós um pouco espessado e aplanado no material de herbário; fôlhas oblongo-lanceolares, atenuadas para a base, com pseudo-pecíolo canaliculado, no ápice terminadas em ponta longa e aguçadissima e um tanto falcada, ao todo de 15-20 cm. de comp. e no meio de 3,8-4,5 cm, de larg., pouco coriáceas; pseudo-pecíolo de 15 mm. de comp.; racimos axilares, com 2-4 flores em raque de 2-3 cm. de comp.; brácteas oval-acuminadas, patentes e côncavas, de 10-15 mm. de comp. e 5-8 mm. de larg.; ovário séssil, na antese de 4-5 cm. de comp.; sépalos espatular-oblanceolados, aguçados, de 10 cm. de comp. e no têrço terminal de 12 mm. de larg., para a base atenuados; pétalos do comprimento dos sépalos, no têrço superior de 15 mm. de larg; igualmente aguçados e atenuados para a base; labelo de 10,5 cm. de comp., no terço inferior concrescido com os bordos na face ventral da coluna, distendido de 3,5-4 cm. de larg., lobos laterais no ápice arredondados e pouco ondulados, eretos, o terminal destacado, redondo acima da base, mas ali com istmo largo não contraido, bordos ondulado-crenulados, de 2x2 cm. de diametro, ápice levemente recortado, nervuras e venulações nitidamente destacadas, todavia sem outros apêndices no disco além do fascículo de membranas caliculiformes fendilhadas que se encontra sob a antera, na base (segundo parece) com pequenas manchas ou verrugas no disco; coluna de 6-7 cm. de comp., na face (segundo parece) glabra; frutos de 20 cm. de comp. trigonados com os ângulos destacados e arredondados em costela, em estado sêco coriáceos, rijos, de 15 mm. de grossura, segundo nota do coletor de cheiro forte e agradável, ao contrário daquele das flores, que foi assinalado como desagradável.

Distr. Geogr: Pará e Amazonas.

Mat. Exam.: Jard. Bot., Rio de Janeiro: N.° 19.445 - A. Ducke, matas de terra firme, Belém do Pará, flores em 23-11-1926 e frutos em 7-10-1926.

Observ.:Esta espécie distingue-se de todas as conhecidas por nós, pelo tamanho das flores e pelos frutos perfeitamente trigonados. Parecerá estranho que uma espécie tão carateristica e com frutos tão avantajados continuasse desconhecida até ao presente, mas de entre as descritas do Brasil, de que tivemos conhecimento, nada encontramos que pudesse ser comparado a ela.

 

 

 

6.25. Vanilla purusara Barb. Rdr. Jr., - nomen nudo in Mus. Goeldi, Pará; — F. C. Hoeiine, - “Arch. do Inst. Biológico”, S. Paulo, vol. 8 (1937) p. 268 e “Arq. de Bot. Est. de S. Paulo” nova série, vol. I, fase. 6 (1943) p. 127, táb. 140.

Alto escandente; caule com 5-8 mm. de espessura, radicífero do lado oposto ao pecíolo; fôlhas mais ou menos coriáceas, de âmbito perfeitamente oboval-espatulado, sôbre pseudo-pecíolo de 1-1,5 cm. de comp. e com limbo de 15-18 cm. de comp. por 5-6,5 cm. de larg., para a base atenuado com nervuras e venulações transversais evidentes e destacadas, ponta abruptamente acuminada, de 1-2 cm, de comp.; racimo axilar ou terminal, floribundo, isto é, com 5-12 flores que desabrocham sucedendo-se, em raque de 3-6 cm. de comp.; brácteas oblongadas, no ápice obtusas, oval-oblongadas, aguçadas e patentes, de tamanho muito variável, passando às vezes a fôlhas atrofiadas; ovário sessil de 4 cm. de comp., no ápice ligeiramente caliculado, roliço; sépalos de 7-8 cm. de comp., linear-lanceolados, aguçados de longe, na base ligeiramente unidos em tubo, no têrço superior de 1 cm. de larg., os laterais um pouco mais largos; pétalos nâo muito diferentes dos sépalos porém mais estreitos, com a nervura mediana destacada e terminada em aresta antes de atingir o ápice, que é ligeiramente obtusado, na largura raramente excedem a 8 mm.; labelo até acima do meio concrescido com os bordos laterais da face ventral da coluna, depois aberto em limbo afunilado que distendido se apresenta com âmbito obovalado, terminado em lobo mediano estreito e linguiforme, ornado de apêndices lombricoides bastamente ordenados no seu centro, em posição longitudinal; no disco, sob a antera, com um fascículo de membranas fendilhadas caliculiformes; coluna glabra na face ventral, ao todo de 5,5 cm. de comp.; frutos desconhecidos.

Distr. Geogr.: Rio  Purús e Jutaí de Almeirim, Pará.

Mat. Exam.: Mus.  Goeldi, Para: N.° 4.721 - J. Huber, Bom Lugar, Rio Purús, Amazonas, em 5-1904. (Exemplar tipo que vimos em 1937, sem podermos descobrir a descrição e publicação da espécie).

Jard. Bot., Rio de Janeiro: N.° 18.704 - A. Ducke, Igapó da margem do Pirapitinga, afluente do Jutaí de Almeirim, Pará, em 19-4-1923. (FL branca, labelo manchado de amarelo).

Observ.: Esta espécie impressiona-nos imediatamente pela forma espatular-oboval das fôlhas, flores muito grandes e labelo obovalado, que possue um lobo terminal linguiforme, ornado de barbelas lombricoides e é atenuado para a base em longo unguículo concrescido com os bordos ventrais da coluna.

A descrição foi calcada no material citado para o Jardim Botânico do Rio de Janeiro e preencherá assim a lacuna deixada pelo autor do nome da espécie.

 

 

6.26. Vanilla guianensis  Splitg., - “Ann. Nat.”, ser. 2, vol. XV (1838) p. 279; — Spach, - “Vég. Phan.” vol. XII, p. 191; — De Vriese, - “De Vanielje”, in “Tuinl. Fl.” (1856), vol. IIT, p. 78, táb. 5-6 e “Belg. Hort.” vol. VI, p. 313 e 372, táb, 76; — Reichb. fil., - “Orchid. Splitg, Sur.” in “Nederl. Kruidk. Arch.”, vol. IV (1859) p. 321; — Cogniaux, - “Mart. Fl. Br.”, vol. III, IV (1893) p. 151, etc.

Sin.:  Vanille, Merian - “De Surin. Insekt. vol. 20, táb. 25 (1730); — AUBET, - "Fl. Guian.” vol. II, Suppl. p. 77. ?) V. Hostmani Rolfe, - “ Journ. Linn. Soc. Bot.” vol. XXXII (1896) p. 462. (Veja-se a descrição reproduzida em seguida à presente).

Caule robusto, roliço, escandente, de 20-30 mm. de comp., de um dedo de espessura, agarrado com raizes adventícias aos troncos e ramos das árvores; raizes emergindo dos nós fortemente espessados, de 5-10 cm. de comp.; fôlhas duas e três vezes mais longas que os entrenós, curta e espessamente pecioladas, grandes, planas, em regra reflexas ou patentes, camosas, elíptico-oblongadas, acuminadas ou aguçadas, tenuemente multinervadas, depois de sêcas coriáceas, de 15-20 cm. sôbre 4-7,5 cm. de larg. mediana, o pecíolo de 0,5-1,5 cm.; espigas florais curto-pedunculadas, com raque espessa, patentes ou ereto-patentes, ligeiramente angulosas, com 5-20 flores e de 5-10 cm. de comp. sôbre 3-5 mm. de grossura; brácteas bem côncavas, multinervadas, de 5-12 mm, de comp. e 3-7 mm. de larg., rijas, patentes, até reflexas; ovário levemente trisulcado, de 4-6 cm. de comp.; flores grandes, alvo-amareladas; sépalos e pétalos eretos, no ápice recurvados, subplanos, oblongo-lanceolados, para a base atenuados e para o ápice quasi acuminados, no dorso não ou indistintamente carinados, dê 5,5-6,5 cm, de comp. sôbre 8-11 mm. de larg. mediana, com 9 nervuras ramosas e ligadas entre si; pétalos um pouco mais curtos e muito mais estreitos que os sépalos, ás vezes mais ondulados nas margens; labelo depois de sêco membranáceo, um pouco mais curto que os sépalos, na parte inferior ligado à coluna, infundibuliformemente enrolado, no têrço superior porém mais aberto, com margens crespas, distintamente trilobado, lobos laterais semi-luniformes, no ápice arredondados, o mediano triangular-ovalado, muito mais longo, disco com lamelas ter nadas, espessas, que para o ápice confluem, ao todo de 5-5,5 cm. de comp. sôbre 3-3,5 cm. de larg. máxima coluna envolvida pelo labelo, de 3 cm, de comp., ligeiramente incurvada, semi-roliça, glabra na face anterior, no dorso carinada, carnosa, para o ápice espessada; estigma transversalmente, oblongado; frutos aromáticos cilíndrico-clavados, obtusamente angulosos, de 15-20 cm. de comp. sôbre 2,5-3 cm, de grossura; sementes pequenas castanho-negras, brilhantes, sob a lente um tanto areoladas.

Distr. Geogr.: Guianas e provavelmente norte do Brasil.

Observ.: Esta espécie, embora colocada entre as afins da V. parvifolia Barb. Rdr., distingue-se bem pelas inflorescencias floribundas e tamanho das flores.

 

 

6.27. Vanilla Hostmani Rolfe, - “Journ. Linn. Soc. Bot.”, vol. XXXII (1896) p. 462.

Caule espesso; fôlhas com a base contraída em curto pseudo-pecíolo, limbo lanceolar-oblongado, acuminado de perto, um tanto obtuso, de 13-23 cm. de comp. e 4,5-7,5 cm. de larg.; racimos espessos, multifloros, de 5-7,5 cm. de comp., brácteas oblongadas, obtusas ou levemente aguçadas, côncavas, de 5-8 mm. de comp.: sépalos e pétalos lanceolados, obtusos, de 6-7 cm. de comp.; labelo oblongado, mais ou menos inteiro, obtusos, de 4,5-5 cm. de comp., no disco na base pubescente, e crista longitudinal revestida de barbelas reflexas; coluna de 3,3 cm. de comp., clavada; cápsula desconhecida.

Distr. Geogr.: Surinam,  na Guiana Holandesa.

Mat. Cit.: Hostman, n.° 306, Surinam.

Observ.: O autor   disse  que, devido à ausência dos frutos, se tornava difícil reconhecer a afinidade desta espécie com outras congêneres; que, entretanto, pelas brácteas e inflorescência, deve ficar próxima da V. planifolia Andr., porém o labelo não é corrugado na parte anterior, como acontece na mesma. As fôlhas também são mais largas no meio, como acontece algumas vezes com as da V. pompona Schiede, a qual distingue-se porém por outros detalhes.

Ignoramos se o autor teve ocasião de confrontar esta espécie com a V. guianensis Splitg., que, descrita da mesma região em 1838, tem, aliás, como sinônima a V. surinamensis Reichb. F., que, por seus detalhes, a deduzir da descrição, muito se aproxima dos escassos dados fornecidos na descrição supra.

 

 

6.28. Vanilla perexilis Bertoni, - “An. Cient. Paraguay”, sér. I, vol. VIII (1910) p. 10.

Caules delgados, roliços, pouco ramificados, de 3 mm. de espessura, escandentes e de 1,5-3 m. de comp., dotados de raizes adventicias opostas às fôlhas, que, em regra, são curtas e na base com outras de 20-50 cm. de comp., sôbre 10-15 mm. de grossura, muito carnosas e espessadas; fôlhas pequenas, mais ou menos membranáceas sésseis, 2-3 vezes mais longas do que os entrenós, planas ou na extremidade um tanto recurvadas, patentes, até um tanto reflexas, mais ou menos oboval-lanceoladas, de 6-11 cm. sôbre 2-4 cm. de larg.; flores sésseis nas axilas das fôlhas ou mais geralmente em râmulos laterais com duas ou ainda com a terceira fôlha rudimentar; ovário sinuoso, verde, de até 18 mm. de comp. e 2 mm. de espessura, roliço, no ápice não caliculado; sépalos submembranáceos, lanceolar-alongados, esverdeados, obtusos, para a base atenuados, levemente carinados, na extremidade um pouco espessados, de 25-30 mm, comp. sôbre 8 mm. de larg., patentes, no centro mais carnosos, nas margens mais membráceos; pétalos semelhantes aos sépalos tanto tamanho como no colorido, ereto-patentes, com ápice recurvado; labelo carnoso, no centro mais amarelado e com lamelas alvas, um pouco mais curto do que os sépalos, isto é, de 22-24 mm. de comp. e abaixo do meio quando distendido de quasi igual largura, assim de âmbito redondo, mas evidentemente trilobado, lobos laterais curtos, largos, de ápice truncado, margens um tanto reflexas, crespo-ondulados, lobo mediano arredondado, com margens mais largas e mais reflexas, igualmente crespo-onduladas, de âmbito um tanto triangular, disco com 9 lamelas maiores no centro, em sentido longitudinal, vivo mostra-se êste labelo curvado sôbre a luna, que envolve com a sua parte inferior onde forma pequena protuberância bociforme; coluna de 1 mm. de comp., semi-roliça, glabra um tanto arcada, alva; fruto roliço para a base e o ápice atenuado, reto, de 3-4 cm. de comp. sôbre 6 mm. de grossura.

Distr. Geogr.: Porto Bertoni, Paraguai, Mat. Cit.:  N.°     3.631 - Bertoni, no Puerto Bertoni Paraguái, em novembro a março com flores, abril com frutos  maduros.

Obser.: A semelhança da planta com a V. parvifolia Barb. Rdr. é referida pelo autor, mas dela separa-se pelo reduzido tamanho das flores. Por isto acrescentou Bertoni, com razão que é talvez a menor das espécies no gênero. Todavia, depois disto foi descrita a V. verrucosa Hauman, que é bem menor ainda, e tambén V. Rojasiana Hoehne regulará com a espécie apreço, sendo assim três do Paraguai que disputam a mesma classificação de menores e que sem dúvida nenhuma, devem ter grande afinidade, a qual precisará ser esclarecida melhor quando se conseguir examinar o material original delas.

 

 

6.29. Vanilla verrucosa Hauman, - “Anales del Mus. Nac. de Hist. Nat. de Buenos Aires”, to: XXIX (1917) p. 365.

Planta escandente, caules ramosos e long nos ramos floríferos de 1,5-2,5 mm. de diam.; fôlhas sésseis, oval-lanceoladas, acuminadas longe, mucronuladas, mais compridas que os entrenós, de 5-8 cm. de comp. sôbre 2-2,5 cm. de larg., as inferiores certamente maiores; flores em regra solitárias, sésseis, relativamente pequenas, de consistência provavelmente carnosa; ovário quasi cilíndrico, de 2,5 cm. de comp. sôbre 1,5 mm. de diâmetro; sépalos lanceolados, acuminados e para a base atenuados, ápice aguçado, o dorsal de 2,5 cm. sôbre 6 mm. de larg., os laterais um pouco mais curtos; pétalos mui parecidos com os sépalos, mais acuminados e mais aguçados no ápice, com as mesmas dimensões do sépalo dorsal; labelo indistintamente trilobado, de 2 cm de comp. e 1,4 cm. de larg., lobos laterais arredondados, com as margens mais ou menos lisas, de 5 mm. de larg., lobo mediano triangulado, aguçado, de bordos evidentemente crespados e separado dos laterais por 5-6 mm. de espaço, no centro, em linha mediana, com forte carina, de 1 cm. de comp. que alcança o ápice do labelo e é formado de duas séries de verrugas irregulares, numerosas, jux- tapostas; coluna inteiramente, glabra, arcada, semicilíndrica, inflexa e arredondada no ápice, de 1,3 cm. de comp. e 1 mm. de diâmetro; fruto sem os rudimentos do cálice, sub-cilíndrico, maduro de 9 cm. de comp. sôbre 4 mm. de diâmetro transversal.

Distr. Geogr.: Prov. de Missiones, Argentina.

Mat. Cit.: Herb. Minist. de Agric. Argentina, n.° 19.075-77 e 17.538-41, de várias localidades de Missiones.

Observ:. Autor da espécie referiu que as mais próximas desta devem ser V. parvifolia Barb. Rdr. e V. organensis Rolfe, de que se distingue pelas séries de verrugas no centro do disco do labelo. Ela aproxima-se bastante da V. Rojasiana Hoehne, de Caaguazú, Paraguái, mas é menor e tem labelo muito mais estreito, além de possuir flores solitárias nas axilas das fôlhas caulinares. Todavia, acreditamos que talvez tenha havido um engano nas dimensões dadas por Hauman, pois êle dispoz de apenas uma flôr, enquanto para a nossa espécie tivemos três das mesmas.

Afinidade existe ainda entre ela e a V. perexillis Bertoni, que se distingue por ter labelo com quilhas, sem as verrugas ou vesículas no disco.

 

 

6.30. Vanilla parvifolia Barb. Rodr., - “Gen. et Spec. Orch. Nov.” vol. II (1882) p. 271; — Cogn., - “Mart. Fl. Br.”, vol. III, IV (1893) p. 151, táb. XXXIII.

Caule mais ou menos delgado, raro mais espessado, roliço, fixado aos troncos com raizes adventícias que emergem dos nós, de até 1 cm. de grossura; fôlhas sésseis, levemente côncavas, com a ponta recurvada, um pouco mais compridas que os entrenós, patentes e reflexas depois de adultas, verde-brilhantes, às vezes um tanto amareladas, de 5-13 cm. de comp. sôbre 3-6 cm. de larg, mediana, aguçadas, na base arredondadas; flores axilares, inodoras, medíocres, solitárias, sésseis sem brácteas (quando se não considerar as fôlhas atrofiadas como tais), alvo-esverdeadas ou amareladas; ovário triquetro, levemente sinuoso e torto, no ápice não caliculado, de 5-6 cm. de comp. e 4-5 mm. de grossura; sépalos patentes, oblongo-lanceolados, um tanto obtusados no ápice e na base atenuados, ponta recurvada, o dorsal de 5 e os laterais de 4,5 cm. de comp. e respetivamente de 1,5 e 1,7 cm. de larg.; pétalos ereto-patentes, de 4,5 cm. Sôbre 13-14 mm. larg., nas margens ondulado-crespos, ponta recurvada e aguçada, no dorso um tanto carinados; labelo quasi livre da coluna, mais curto que os sépalos e afunilado, explanado de âmbito quasi redondo, mas evidentemente trilobado, sendo os lobos laterais de ponta arredontada e o mediano triângular-ovalado, aguçado no ápice com margens crespas, disco da base ao ápice com nove lamelas espêssas, das quais a mediana mais grossa, sem outros, apêndices, de 4 cm. de comp. e igual largura, no disco branco; coluna um pouco arcada, semi-roliça, curta, glabra, no seu dorso arredondada, enquanto na face canaliculada, de 2 cm. de comp.; frutos pequenos e um tanto fusiformes, indistintamente triquetros, com três pequenos sulcos longitudinais, um tanto arcados, de 8 cm. de comp. sôbre 8-9 mm. de espessura.

Distr. Geogr.: Matas da Serra do Mar, do Rio de Janeiro ao Paraná, segundo parece.

Mat. Exam.: Inst.  de Bot. (Ex Depart. Bot. Est.): N.° 7.518 - Alto da Serra, Estação Biológica, S. Paulo, em 25-1-1922; — n.° 24.011 - Idem, em 5-4-1929.

Observ.: A afinidade desta espécie com as da mesma secção é desnorteante para o taxonomista e a dificuldade para a separação das espécies aí é aumentada pela variabilidade do labelo e dos sépalos, bem como tamanho das fôlhas, mas Rolfe já assinalara que ela se carateriza por ter flores solitarias nas axilas foliares e labelo trilobado.

 

 

 

Var. robustior Edwall, - Herb. C. G. G. de S. Paulo, n.° 4.453.

Distinta do tipo por ter fôlhas mais desenvolvidas, sépalos e pétalos mais largos, menos acuminados, chegando uns e outros a 16 mm, de larg. e senão mais obtusos no seu ápice.

Mat. Exam.-. Inst. de Bot. (Ex Depart. Bot. Est.): N.° 24.080 - G. Edwall, C. G. G. de S. Paulo, n.° 4.453, Est. de Campo Grande, S. P. Railway, S. Paulo, em 12-1899.

 

 

6.31. Vanilla Edwallii Hoehne, - “Arq. de Bot. do Est. de S. Paulo”, nova série, vol. I (1940) p. 61, táb. n,° 81.

Caules alto-escandentes, com o auxílio de raizes adventícias que nascem dos nós, cuja grossura varia de 2-3 mm. e cujo porte é sinuoso, ramoso como na V. parvifolia Barb. Rdr. e outras afins; fôlhas lanceolado-oblongadas, na parte inferior e superior acuminadas, membranáceas depois de sêcas, sôbre pecíolo de 2- 4 mm. de comp., quasi sésseis, medindo de 6-10 cm. sôbre 2-3 cm. de larg. mediana; flores axilares, mas geralmente nas axilas de fôlhas de curtos ramos laterais, em que as fôlhas fazem as vezes de amplas brácteas, pois são alí solitárias, raro aos pares, de coloração verde-amarelada, com segmentos patentes e pontas recurvadas, crespas e não raro torcidas; ovário de 3-4 cm. de comp.; sépalos e pétalos linear-lanceolados, acuminados de longe em ponta fina, com margens crespas e onduladas, de 4,8-5 cm. de comp. e no meio de 6-8 mm. de larg., senão os laterais os mais largos e os pétalos os mais estreitos; labelo trilobado, na parte inferior levemente unido à coluna e enrolado para cima com limbo aberto, disco amarelado, com várias linhas pouco salientadas, da base ao ápice, no restante glabro, lobos laterais de extremidade obtusa e o mediano mais longo, acuminado, de 1,5 cm. de comp. total que vai a 4 cm. entre lobos laterais de 2 cm. de larg:; coluna incurvada, semi-roliça, espessada na parte terminal, glabra na face, de 2,2 cm. de comp.; frutos não observados.

Distr. Geogr.: S. Paulo, Serra da Cantareira.

Mat. Exam.: Inst. de Bot. (Ex Depart. Bot. Est.): N.° 24.078 - Gustavo Edwall, Com. G. G. de S. Paulo, n.° 6.003, na Serra da Cantareira, S. Paulo, em 1-1902, Original da espécie; — n.° 8.248 – E. Soares, matas de Butantã, S. Paulo, 23-3-1932. (Êste material é de forma menor, intermediaria entre o tipo e a V. organensis Rolfe).

Jard. Bot., Rio de Janeiro: N.º 46.874 - P. C. Porto, Monte-Serrat, Itatiaia, Rio de Janeiro, em 21-1-1929.

 

 

 

6.32. Vanilla Rojasiana Hoehne, - “Arq. de Bot. Est. de S. Paulo”, vol. I, fase. III (1941) p. 61 táb. n.° 82.

Planta semi-epífita, delgada, com tôda tensão do caule presa aos troncos das ár por meio de raizes adventícias curtas; folhas depois de sêcas membranáceas, sésseis ou quasi sésseis, na base atenuadas e canaliculada: extremidade acuminadas em longa ponta, tamanho muito variável, isto é, de 5-12 cm. de compr. sôbre 2-4 cm. de larg. mediana, sempre um reflexas e não raro assimétricas; flores em curtos ramos laterais, nas axilas de brácteas foliáceas de 2-3 cm. de comp. e ambito lanceolar ao todo de 4-7 cm. de comp.; ovário com o pedicelo de 2-2,5 cm. de comp., roliço e sem calículo; sépalos lanceolar-oblongados, ápice obtuso, gens mui pouco onduladas, de 2,5-3 cm. de comp. e no meio de 7-8 mm. de larg., os latera terço terminal um tanto falçados; pétalos mais curtos que os sépalos, obtusos, no meio de 7-8 mm. de larg., sem carinas, com 9 nervuras longitudinais; labelo séssil, enrolado e envolvendo  a coluna com sua parte inferior, na superior patente um tanto reflexo, de âmbito redondo mas ligeiramente trilobado, tendo os lobos laterais levantados e redondos, o terminal obtuso levemente crespo, medindo ao todo de 25-27 sôbre 23-25 mm. de larg. mediana, com o disco na parte inferior dotado de leves quilhas imperceptíveis e no têrço terminal com duas ou três séries de vesículas verrucíformes bem evidentes; coluna semi-roliça, com duas asas salientes no ápice, inteiramente glabra, de 18mm. de comp.; frutos roliços, de 6-7 cm. de compr. sôbre 6-7 mm. de grossura mediana, para a base e o ápice atenuados.

Distr. Geogr.: Paraguái

Mat. Exam.: Hortus Paraguayensis, Assunção N.° 5.082 e 5.082a - T. Rojas, nas margens de úmidas da Estancia Princeza, em Caaguazú, Paraguái, em 4 e 5 de 1927, o primeiro em flor e o segundo em fruto, (no Inst. Bot. n.° 42.726). 

Observ:. Na descrição original já declaramos nossa dúvida bem fundamentada sôbre a relação desta espécie com a V. verrucosa Hauman, que é dada pelo autor como tendo flores axilares solitárias, portanto não em râmulos laterais, além de ter labelo de mais do que 2 cm. sôbre 1,4 cm. Mas repetimos aqui que é possível que estas diferenças não passem de um erro cometido por Hauman, consequente do fato de haver talvez tido uma flor ainda não desabrochada ou grandemente atrofiada.

Com a V. perexilis Bertoni ela tem igualmente indícios de afinidade, mas o disco do labelo desta não apresenta verrugas ou vesículas, mas somente 9 quilhas, embora o tamanho seja mais ou menos o mesmo.

 

 

6.33. Vanilla Bradei Schltr., - R. Mansfeld, “Orchid. Bradeanae” do “Fedde Repertorium Spec. Nov.” vol. XXVI (1928) p. 243.

Caules delgados; fôlhas sésseis, áe 10-15 cm. de comp. sôbre 2,5-4,5 cm. larg., lanceolar- oblongadas, no ápice acuminadas, base estreitada; racimos florais incompletos (segundo o autor) com brácteas foliáceas; sépalos e pétalos linear-lanceolados, para a base atenuados, nas margens ondulados, acuminados, os sépalos de 3,5 cm. sôbre 0,4 cm, de larg., mas os pétalos um pouco mais curtos; labelo na base um tanto ligado à coluna, ao todo de 2,8 cm, de comp. e 1,7 cm. de larg., trilobado, com os lobos laterais arredondados e o mediano triangular-aguçado, no disco com três elevações califormes.

Distr. Geogr.: S. Paulo, em Guapira. (Tipo da espécie n.° 7.573 de Alexandre Curt Brade, ao qual a espécie foi dedicada). Êste material tivemos ocasião de ver e utilizamos para o tábula. Infelizmente está sem flores, tendo apenas frutos, com os quais a reproduzimos.

Observ:. Afirmou o autor que esta espécie cabe na afinidade das foliosas, perto da V. organensis Rolfe (que em parte representa a V. aromatica Cogn. da “Mart. Fl. Br.”). Diz mais que Rolfe referiu para a V. organensis ser o disco sem crista, apenas espessada a nervura central do labelo e que, entretanto, o original de Gardner. n.º 14.320, que êle teve ocasião de examinar, mostra um disco nitidamente penta-nervado.

A isso deveríamos acrescentar que Rolfe, de acordo com Cogniaux na “Mart. Fl, Br.”, vol. III, VI (1906) p. 352, dá os sépalos e pétalos da V. organensis Rolfe como variáveis entre 3-4,5 cm., o que positivamente deve ter sido consequência de materiais diferentes subordinados à mesma espécie. Assim deveriamos dizer ainda que a V. Bradei Schltr. é antes de tudo menor nas suas flores do que a V. organensis Rolfe e que, nêste particular, é talvez a menor de entre as congêneres.

 

 

6.34. Vanilla latisegmenta Ames & Schweinf., - “Schedulae Orchidiana”, n.° 8, (1925) p. 2.

Caules escandentes, sinuosos, estriolado-angulosos, lisos, de 2,4 mm. de diâmetro, entrenós de 4-6,5 cm. de comp., mas na extremidade às vezes mais curtos; raizes opostas às fôlhas, depois de sêcas mais ou menos acinzentadas, lon-gitudinalmente sulcadas; fôlhas elíptico-ovaladas, de 13-20 cm. sôbre 6,3-8,7 cm. de larg., bruscamente acuminadas, sésseis, multinervadas, transversalmente reticuladas depois de sêcas, brilhantes; espigas florais axilares, curtas, com mais ou menos cinco flores, em raque fortemente fracti-sinuosa de 4-5 cm. de comp.; brácteas florais triangular-lanceoladas, côncavas e amplexicaules, de 1,5 cm. ou menos de comp.; flores medíocres no gênero; pedicelo com o ovário na flor adulta de 4-4,6 cm. de comp.; sépalo dorsal de 4,5-5,2 cm. sôbre 1,5 cm. de larg., em regra mais espesso na estrutura mediana do meio para baixo e alí com 11 nervuras langitudinais, sépalos laterais largo-lanceolares, do mesmo comprimento do dorsal, mas de 1,75-2,1 cm. de larg. mediana, para o ápice acuminados e alí oblíquos, com 13 nervuras; pétalos elíptico-lanceolados, levemente oblíquos, de 4,6- 4,9 cm. de comp. e 1,5-1,8 cm de larg. mediana, no ápice aguçados, mui obliquamente bilobados, com espessamento dorsal no centro e 11 nervuras longitudinais; labelo na sua base unido à coluna numa extensão de uns 6 mm., depois expandido em limbo mais ou menos hexagonal em seus contornos, de 4,4 cm. de comp. e igual largura mediana, parte livre arredondada e abaixo dela flabeliformemente dilatado em ponta levemente trilobada de margens fortemente crespadas, ápice abruptamente mucronado; disco ornado de um espessamento mediano carnoso-linear constituído de 3-5 linhas abaixo do meio, que no centro conflúem em calo central que se êstende numa carina mediana até ao ápice, ao lado desse espessamento central com nervuras ligadas entre si por outras transversais carnosas; coluna delgada, glabra, de 2,6 cm. de comp., um tanto arcada.

Distr. Geogr.: Guiana Britânica.

Mat. Cit: J. S. de La Cruz, n.° 1.404, parte superior do Rio Rupununi, na Guiana Inglêsa, Lat. 2º 45’, em 29 de Maio de 1922. "Fl. alva” (tipo no Herb. de O. Ames, n.° 22.973; — mesmo coletor, n.° 1.424, em 31 de Maio do mesmo ano e mesma localidade; - H. A. Gleason, n.° 526, em terrenos pedregosos das florestas baixas, em 13-30 de Julho de 1921, “Fl. alvo-amareladas”,

Observ:. Referem os autores que esta espécie tem afinidade com a V. inodora Schiede, mas distingue-se pelos segmentos florais mais largos. Da V. guianensis Splitg. distingue-se ainda por ter esta fôlhas mais estreitas, racimos mais floribundos, flores menores com labelo evidentemente trilobado.

Observam os autores da espécie que o material seco preparado no herbário, quando distendido, apresenta maiores dimensões nos segmentos florais, sendo os sépalos de 5,5 cm. sôbre 2 cm, de largura.

 

 

6.35. Vanilla aromatica Sw., - “Act. Ups.” vol. VI (1799) p. 66; — Willd., - “Spec. Pl,” vol. IV, p. 121 em parte; — Rob. Brown., - “Ait Hort. Kew.” edit. 2, vol. V, p. 220; — Kunth, - “Syn. Pl. Aequin.” vol. I, p. 339 em parte; -Lindley, - “Gen. and Spec. Orchid.” p. 434; — Spach, - “Vég. Fhan.” vol. XII, p. 192; — Desvaux, - “Ann. Sc. Nat.” sér. 3, vol. VI, p. 117, em parte; — Ch. Morren, - “Bull. Acad. Belg.” vol. XVII, part. I, p.j 126; — De Vriese, - “De Vanielje” in “Tuinb Fl.” vol. III (1856) p. 81 e “Belg. Hort.” vol. VI, p. 365 e 373; —Wawra, - “Bot. Reise Maximilian”, p. 149; — Cogniaux, - “Mart. Fl. Br.” vol. III, IV (1893) p. 150, em parte; — Stein, - Orchideenbuch,” p. 593, etc.; — F. C. Hoehne, - “Arch. Inst. Biol.” vol. VIII (1937) p. 268; — Pio Corrêa, - “Dic. Pl. Uteis” vol. I (1926) p. 282, com clichê.

Sin.:  Vanilla flore viridi et albo, etc. - “Plumier Nov. Gen. Pl. Amer.”, p, 25 (1703) e “Pl. Amer.” edit. Burm. p. 183, táb. 188. Mss.; — Geoffroy, - “Mat. Med.” vol. II, p. 362, tradução franc. vol. III, p. 180.

Epidendrum scandens etc., P. Brown, “Hist. Jam.” (1756) p. 326.

Epidendrum vanilla Linn. (não de Vellozo). - “Spec. Pl.” edit. 1, p. 952 (1753), edit. 2, p. 1.347.

Vanilla mexicana Miller, - “Dict.” edit. 8, n.° 1, tradução francesa, vol. VII (1785) p. 505, em parte.

V. inodora Schiede (?), - “Linnaea” v p. 574 e vol. VI, p. 59; — Ch. Morren “Bull. Acad. Belg.” vol. XVII, part. 120; — Hemsl., - “.Biol. Centr. Amer. vol. III, p. 294.

V. ovalis Blanco, - “Fl. Filip.” edit. 2, (1845) p. 448.

V. anaromatica Griseb., - “Fl. Brit. V Isl.” (1864) p. 638; — O. Kuntze, - Gen. Plant. ” p. 682.

V. domestica Druce, - “Rep. Bot. Ext Brit. Isles” (1913) vol. III p. 425.

V. epidendrum Mirb., - “Hist. Pl.” t vol. IX, pág. 249.

Caules bastante delgados, longos, rar sinuosos, nas articulações radicíferos e um tanto espessados, verdes, em cima de 3-6 mm. de grossura, luzidios roliços, raizes adventícias aos ramos e troncos das árvores; sésseis ou quasi sésseis, um tanto rijas, planas ou quasi planas, oval-oblongadas ou oval-laceoladas, ápice acuminado de longe, base arredondada, 2-3 vezes mais compridas que entrenós do caule, patentes ou ereto-patentes no verso um pouco menos verdes, depois sêcas membranáceas, a ponta geralmente um oblíquada, ao todo de 12-18 cm. de comp. 4-7 cm. de larg., com nervuras levemente salientadas e ramificadas em rede; racimos florais paucifloros, às vezes com uma só flor, patentes, arcados ou levemente sinuosos. roliços ou indistintamente angulosos (número flores de 1-5) ao todo de 3-6 cm. de comp. e 2-3 mm. de grossura; brácteas subdísticas, patentes até reflexas, ovais ou oval-oblongadas, aguçadas e levemente acuminadas, sub-foliáceas 1-2,5 cm. de comp. sôbre 6-12 mm. de larg. mediana; ovário reto ou levemente arcado, 3-5 cm. de comp.; sépalos alvo-esverdeados, estreito- lanceolados, ápice acuminado de longe e atenuada, no dorso não ou indistintamente carinados, um tanto côncavos, tenuemente branáceos depois de sêcos, de 5-6,5 cm. de sôbre 6-8 mm. de larg. mediana, com 9-11 nervuras ramosas, com as margens superiores crespadas e onduladas, revolvidas; pétalos mais curtos que os sépalos e um pouco mais estreitos, bém crespados nas margens superiores; labelo muito mais curto que os sépalos e pétalos, tintamente trilobado, de 3-4 cm. de compr. sôbre pouco menor largura mediana, com acuminado e base cuculada, disco com mediana elevada mas despida; coluna levemente arcada, de 2,5 cm. de comp.; fruto cilíndrico, inodoro, reto ou pouco arcado, ligeiramente bisulcado, de 12-20 cm. de comp. e 7-10 mm, de grossura mediana; sementes negras, brilhantes, obovoides para a base aguçadas, de 0,5 mm. de comp. e 0.32 mm. de grossura.

Distr. Geogr.: Desde a Jamaica, em tôda a América Central, até ao Rio de Janeiro, Minas, e mencionada ainda para o México, parecendo, entretanto, que as plantas procedentes de localidades geograficamente tão separadas devem ser de espécies afins.

Mat. Exam.: Mus.  Goeldi, Pará: N.° 9,608 - Pessoal do Museu, St. Isabel, Belem, 8-1908.

Jard. Bot, Rio de Janeiro: N.° 19.441 – A. Ducke, Rio Maratauá, afluente do Aramã, Breves, Pará, 28-8-1926.

Observ.: Pelo que vai evidenciado na própria chave exposta na “Mart. Flora Brasiliensis” pelo Dr. A. Cogniaux, esta espécie distingue-se das afins pelo labelo menos trilobado, isto é, praticamente inteiro e sépalos e pétalos acuminados de longe.

 

 

6.36. Vanilla organensis Rolfe, - “Journ. Linn. Soc. London, Bot.” vol. XXXII (1896) pág. 452;— Cogniaux, - “Mart. FL Br.” vol. III, VI (1906) p. 532.

Sin.:  Vanilla aromatica Lindl., - “Gen. and. Spec. Orchid.” p. 434, em parte e não da autoria de Swartz.

Caule delgado; fôlhas subsésseis, lanceolar- oblongadas, acuminadas, de 6-12,5 cm. de comp. sôbre 2-4,5 cm. de larg.; racimos florais terminais, com poucas flores esverdeadas; brácteas grandes, foliáceas; sépalos e pétalos linear-lanceolados, um tanto acuminados, de 3-4,5 cm. de comp., na extremidade recurvadas, nas margens crespo-ondulados; labelo mais curto que os sépalos laterais; mais ou menos livre da coluna, trilobado, lobos laterais arredondados, oblongos, o terminal oblongo-aguçado, no disco não cristado, mas nervuras medianas espessadas, ao todo de 3-3,5 cm. de comp.; coluna de 2 cm. de comp., clavada; frutos linear-alongados, roliços, de 12 cm. de comp. e menos de 1 cm. de grossura. não aromáticos.

Distr. Geogr.: Regiões serranas do Rio de Janeiro e arredores.

Mat. Exam.: Inst. de Bot (Ex Dep. de Bot. do Est.):N.° 24.099 – Cândido  Spanngel, n.° 218, Petrópolis, Rio de Janeiro, em data não mencionada; — n.° 45.712 - Nativa no Parque do Estado, Jardim Botânico, S. Paulo, florida em 15-2-1937. Leg. O. Handro.

Observ.: Sob a V. Bradei Schltr. já foi mencionada a diferença que existe entre ambas e bem assim o fato observado por Mansf. e Schltr., que nesta espécie presente o disco do labelo tem cinco e não apenas uma nervura longitudinal espessada.

O material que temos em mão apresenta fôlhas um pouco mais longas, mais acuminadas e atenuadas. Os sépalos e pétalos são muito ondulado-crespos nas margens superiores, acuminados em longa ponta, pétalos algo falcados. '' Existe afinidade entre ela e a V. parvifolia Barb. Rdr., mas nesta o labelo é mais largo e menos evidentemente trilobado. Afinidade tem ela ainda com a V. angustipetala Schltr., em que o labelo é mais obtuso no lobo terminal.

 

 

6.37. Vanilla angustipetala Schltr., - “An. Mem. Inst. But, Bot.” vol. I, fase. IV (1922) p. 19, táb. 2, fig. IV.

Terrestre, trepadeira, ramos relativamente delgados, sinuosos de até 3 mm. de espessura; fôlhas patentes até reflexas, sésseis, para a base atenuadas, para o ápice quasi abruptamente acuminadas, ponta aguda, de 10-13 cm. de larg,, em regra duas vezes mais longas que os entre-nós, membranáceas depois de exsicadas; inflorescencias racimosas, axilares, segundo parece sempre bifloras, pedúnculo e raque sinuosos, de 5 cm. de comp., pedúnculo no ápice com uma bráctea foliácea ou bainha, além de verdadeira bráctea que é a metade menor, lanceolada, aguçada ou acuminada; flores entre as menores do gênero, muito parecidas e do tamanho daquelas da V. parviflora, glabras; sépalos lanceolados, acuminados de perto, o dorsal de 4 cm. sôbre 7 mm. de larg., os laterais de igual comp. mas de 8-9 mm. de larg.; pétalos ligulado-acuminados, mais estreitos que o sépalo dorsal, isto é, de 4 cm. de comp. e 6 mm. de larg. mediana, um tanto falcado; labelo apenas na sua base levemente soldado aos bordos da coluna, depois abraçado a ela, distendido quasi orbicular, de 3 cm. sôbre 3 cm. de larg., no ápice porém trilobado, extremidade superior obtusa, lobos laterais pouco evidentes, arredondados, disco ornado com três linhas levantadas que avançam até acima do meio, de lá ao ápice levemente verrucoso; coluna delgada, no ápice capitada e alada, de 15 cm. de comp.; ovário roliço, de 3 cm. de comp.

Mat. Exam.: Herb. Alex. Curt. Brade: N.º 7.775 - Mesmo coletor, Morro das Pedras, Mun. de Iguape, em 12-1916, no Museu Nacional, Rio de Janeiro, n.° 24.938.

Observ.: No porte  e aspecto geral esta espécie não se distingue da V. parviflora Barb. Rdr., apenas os pétalos mais estreitos e mais falçados, com o labelo proporcionalmente mais largo e lobo terminal menos destacado, a separam da mesma.

 

 

6.38. Vanilla ovata Rolfe, - “Journ. Linn. Soc., Bot.”, vol. XXXII (1896) p. 451.

Caule pouco robusto, mais ou menos semelhante ao da V. aromatica Sw. mas diferente pela forma das fôlhas e inflorescencia mais laxa e muito mais longa; fôlhas membranáceos, na base atenuadas em pseudo-pecíolo de 1 cm. de comp. e na extremidade acuminadas em ponta delgada, multinervadas, ao todo de 15-20 cm. de comp. e 4,5-7 cm. de larg. mediana, entre as muitas nervuras reticuladas; inflorescencias racimosas, axilares, com raque sinuosa e delgada de 5-8 cm. de comp.; brácteas oval-lanceoladas de 6-15 mm. de comp. e patentes; ovário com pedicelo em conjunto de 4-5 cm. de comp., um tanto arcados; flores verde-amareladas com labelo branco, perfume fraco, muito parecidas com as da V. aromatica Sw. e como elas com os segmentos patentes e extremidades recurvadas; sépalos de 3,5-4 cm. comp. e 1 cm. de larg. máxima, ondulados margens; pétalos linear-oblongados, do comprimento do sépalos, mas de apenas 7-8 mm. larg. mediana; labelo na base levemente concrescido com os bordos ventrais da coluna, rolados sôbre ela, mas distendido levemente lobado, de âmbito ovalado, ápice linguiformemente acuminado, crespado e disco com: quilhas mais destacadas, venulado sôbre fundo amarelado, de 3-3,5 cm. de comp. e distendido de pouco menor largura mediana; coluna 2 cm. de comp. como nas afina; frutos não observados no material em apreço.

Distr. Geogr.: Guianas e Pará.

Mat. Exam.: Jard.  Bot., Rio de Janeiro:N.° 19.442 - A. Ducke, Belém do Pará, matas de terra firme, escandente, fl. verde com labelo branco perfume fraco.

Observ.-. A descrição aqui apresentada foi ta pelo material que nos serviu também para fazer a tábula. Infelizmente não conseguii apurar se efetivamente temos a espécie apreço, porque não podemos consultar o material original e as descrições feitas pelo Prof. Rolfe são quasi sempre mui deficientes.

Trata-se de uma espécie mui afim da V. aromática Sw., cujas fôlhas mais delgadas isto é, menos consistentes na sua estrutura, têm a base menos larga do que as daquela cita muito diferentes são, porém, as inflorescências como se poderá verificar pelas ilustrações que damos de ambas.